Chip transforma pensamentos em palavras e reacende esperança para pessoas com paralisia cerebral

Uma pesquisa publicada na renomada revista científica Nature Human Behavior mostrou a possibilidade de um implante cerebral, procedimento que pode auxiliar indivíduos com dificuldade de comunicação

A paralisia cerebral (PC) consiste em uma série de alterações neurológicas que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo, envolvendo fatores como o movimento e a postura corporal.

Segundo artigo da Biblioteca Virtual em Saúde, do Governo Federal, a condição afeta aproximadamente duas a cada mil crianças nascidas em todo o mundo, sendo a causa mais comum de deficiência grave na infância. No entanto, uma descoberta recente pode mudar esse cenário positivamente.

Cientistas da Califórnia, nos Estados Unidos, foram responsáveis por desenvolver um implante cerebral capaz de ‘captar’ pensamentos, transcrevendo-os em palavras escritas que aparecem em uma tela, tudo isso em tempo real, conforme divulgado pelo jornal O Globo.

A ferramenta inovadora foi divulgada pela revista científica Nature Human Behavior (Tradução: Natureza comportamento humano), representando um marco histórico na neurociência e tecnologia de interfaces cérebro-máquina. 

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Além disso, o estudo não apenas engloba as possibilidades de interação, mesmo sem a fala direta, mas, simultaneamente, oferece esperança para milhares de pessoas que apresentam a condição. A capacidade de transformar ‘vozes’ da cabeça em texto direto pode originar uma revolução na forma em que nos comunicamos.

Como funciona?

O implante é inserido no giro supramarginal, uma região do cérebro localizada no córtex cerebral. Essa área atua diretamente em diversas funções cognitivas, incluindo a percepção espacial, a capacidade de compreensão, a interpretação de informações visuais e auditivas, além da própria linguagem.

O chip de última geração foi responsável por registrar padrões neurais da região mencionada e traduzi-los. Portanto, o posicionamento em específico foi essencial ao processo de decodificação.

O Diário fez, inclusive, uma matéria explicando como o grande cientista Stephen Hawking ‘previu’ a utilização de chips em humanos. Para acessá-la, basta clicar aqui. 

Durante a fase de testes iniciais, dois participantes apresentaram índices de acerto notáveis, chegando a 79% na identificação de oito palavras previamente determinadas. Com isso, o recurso consolida-se como a interface cérebro-máquina mais precisa já desenvolvida para a leitura de pensamentos.

Para mais informações, confira o vídeo abaixo, publicado pelo canal Olhar Digital:

Superação na comunicação

O novo implante do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia) atua exclusivamente por meio do pensamento, não exigindo qualquer tipo de ação ou esforço físico, o que o torna mais abrangente do que tecnologias anteriores.

Nos últimos anos, equipes de pesquisa têm obtido avanços constantes na restauração da comunicação. No caso da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), em 2021, o resultado máximo alcançado foi de 18 palavras por minuto. Já em 2023, o cenário evoluiu para um recorde de 80 palavras por minuto.

Outras iniciativas, como as de Stanford e Brown, registraram 62 palavras por minuto em 2023. Empresas como a Neuralink, do Elon Musk, e a Synchron também estão na vanguarda do aprimoramento de chips que permitem comunicação e controle por pacientes com paralisia.

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Aviso importante!

Apesar do entusiasmo e esperança contínua, cientistas mundiais ressaltam que o procedimento ainda está em sua fase inicial. Deste modo, é necessário que o instrumento ainda passe por testes mais abrangentes e rigorosos antes de ser disponibilizado ao público, a fim de garantir segurança e eficácia em sua atuação.

No entanto, o progresso científico já é notável e representa uma possibilidade marcante de um futuro mais acessível e humanitário, oferecendo autonomia e inclusão.

*O texto contém informações dos portais O Globo, Thays Mosko e bmvs.saude