Dormir de porta fechada? Entenda por que esse hábito comum pode estar prejudicando seu sono

Estudos indicam que a ventilação do quarto pode influenciar a qualidade do descanso; a concentração de CO², iluminação e temperatura são alguns dos principais fatores

Fechar completamente portas e janelas durante a noite pode reduzir a circulação de ar e aumentar a concentração de dióxido de carbono (CO) no ambiente

Fechar completamente portas e janelas durante a noite pode reduzir a circulação de ar e aumentar a concentração de dióxido de carbono (CO) no ambiente | Imagem gerada por IA/Gemini

É normal que, quando as pessoas forem dormir, elas fechem suas portas ou janelas, de modo a ter o melhor descanso possível, sem interrupções ou barulhos indesejados. O hábito pode parecer inofensivo, entretanto, estudos apontem que isso pode influenciar na qualidade do sono, mesmo que indiretamente.

Segundo especialistas, o principal fator envolvido é a ventilação do ambiente, responsável pela interferência na concentração de dióxido de carbono (CO) no quarto, ao longo da noite.

Uma pesquisa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, localizada na Holanda, analisou justamente como a ventilação de um cômodo afeta o descanso. Durante a elaboração do estudo, voluntários dormiram em duas condições: com ventilação natural (janela aberta) e em um ambiente mais fechado.

Como resultado, os pesquisadores observaram que, nos cenários menos ventilados, a concentração média de CO² aumentou de, aproximadamente, 717 partes por milhão (ppm) para 1150 ppm, durante a noite. O crescimento dos números foi associado a paior profundidade de sono, bem como a constante frequência de despertares noturnos.

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A explicação para o fenômeno está no fato de que ambientes pouco ventilados acumulam o gás liberado pela respiração humana. Portanto, quanto maior a concentração de CO², maior a tendência de queda na eficiência do sono e no tempo em estágios profundos do descanso.

Segundo o neurologista Edson Issamu, profissional da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, em entrevista concedida para a Casa Vogue, os níveis elevados do gás podem provocar diferentes efeitos, como:

  • Redução das fases profundas do sono (N3 e REM), essenciais à recuperação física e mental;

  • Dificuldade de consolidação da memória;

  • Sensação de lentidão ao acordar, conhecida como inércia do sono;

  • Dor de cabeça ao despertar, causada pela vasodilatação associada ao aumento do CO no sangue.

Para minimizar o problema, o médico recomenda melhorar a circulação de ar no quarto, seja abrindo parcialmente a porta ou a janela. Contudo, ele alerta que a entrada de luz ou ruídos também pode prejudicar o descanso.

SonoPesquisas da Universidade de Tecnologia de Eindhoven indicam que níveis mais elevados do gás estão associados a maior frequência de despertares noturnos e a uma menor profundidade do sono. Imagem ilustrativa/Gemini

Outros fatores que interferem no sono

Luz

Além da ventilação, a iluminação é outro fator importante. O especialista explica que a exposição à luz durante a noite reduz a liberação de melatonina, hormônio responsável por regular o ciclo do sono.

A redução dessa substância pode alterar o ritmo biológico do organismo, dificultando tanto o início quanto a manutenção do sono. Uma alternativa recomendada é permitir alguma ventilação no ambiente, além de utilizar máscaras para dormir a fim de bloquear a luz.

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Temperatura e ruídos

Existem outros elementos do ambiente do quarto também podem comprometer o descanso; alguns destes consistem na temperatura, ruído e o uso de dispositivos eletrônicos.

De acordo com o neurologista, o ideal é que o quarto esteja entre 18 °C e 22 °C para favorecer o sono. No caso de pessoas idosas, a tolerância pode chegar a cerca de 25 °C, sem prejuízo significativo da qualidade do descanso.

Adicionalmente, dormir com televisão ou música ligada são aspectos que até podem contribuir ao adormecimento de uma pessoa; porém, tendem a prejudicar a continuidade do sono caso permaneçam durante toda a noite.

Outra questão abrange uso de celulares, tablets e computadores antes de dormir, reduzindo a produção de melatonina devido à luz emitida pelas telas.

SonoAlém da ventilação e da luz, fatores como temperatura, ruídos e uso de telas também influenciam a qualidade do sono; especialistas recomendam manter o quarto entre 18 °C e 22 °C e evitar o uso de celulares ou televisão antes de dormir. Imagem ilustrativa/Gemini

Hábitos saudáveis antes de dormir fazem toda diferença

Especialistas ainda destacam que os comportamentos adotados nas horas que antecedem o sono podem influenciar diretamente o descanso, positiva ou negativamente. Algumas recomendações incluem:

  • Evitar álcool nas quatro horas anteriores ao sono;

  • Não consumir cafeína até oito horas antes de dormir;

  • Finalizar exercícios intensos até quatro horas antes de deitar;

  • Reduzir o contato com redes sociais, notícias negativas ou discussões estressantes nas três horas que antecedem o horário de dormir.

As medidas listadas ajudam a preparar o organismo para o descanso, favorecendo um sono mais profundo e reparador.

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*O texto contém informações dos portais Casa Vogue, DTU Orbit e do artigo “Window/door opening-mediated bedroom ventilation and its impact on sleep quality of healthy, young adults”