Isolamento, violência e abandono: as 10 cidades com pior qualidade de vida no Brasil

A pontuação varia de 0 a 100, com base em resultados reais, não em investimentos ou promessas políticas

Um estudo nacional baseado no Índice de Progresso Social (IPS), metodologia que avalia a qualidade de vida com base em indicadores sociais e ambientais, e não apenas em dados econômicos, revelou as cidades com os piores desempenhos do país em 2025.

O levantamento foi elaborado pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia e expõe um retrato das desigualdades estruturais brasileiras, especialmente na Amazônia Legal.

O IPS, inspirado em metodologia desenvolvida por Michael Porter, da Universidade de Harvard, mede o bem-estar da população a partir de 57 indicadores que abrangem saúde, educação, saneamento, segurança, direitos individuais e meio ambiente. A pontuação varia de 0 a 100, com base em resultados reais, não em investimentos ou promessas políticas.

As 10 cidades brasileiras com pior qualidade de vida em 2025

Uiramutã (RR) — 37,59
Município isolado na fronteira com a Venezuela, com acesso limitado a serviços essenciais e economia de subsistência.

Jacareacanga (PA) — 40,04
Enfrenta violência e degradação ambiental associadas ao garimpo ilegal e infraestrutura frágil.

Amajari (RR) — 40,95
Cidade com baixa densidade populacional e deficiência de serviços públicos básicos.

Bannach (PA) — 40,99
Um dos menores municípios do país, sofre com falta de investimentos em saúde e educação.

Alto Alegre (RR) — 41,07
Registra graves deficiências em saneamento e enfrenta conflitos territoriais.

Trairão (PA) — 42,08
Forte presença de criminalidade rural e crimes ambientais, com infraestrutura limitada.

Pacajá (PA) — 42,86
Alta violência, falta de saneamento e educação insuficiente.

Portel (PA) — 43,25
Predominantemente acessível por via fluvial, enfrenta desafios logísticos que prejudicam serviços públicos.

São Félix do Xingu (PA) — 43,33
Histórico de conflitos rurais e fragilidades sociais.

Anapu (PA) — 43,39
Cidade marcada por pressões ambientais, violência e déficit de serviços básicos.

Desigualdade regional e desafios estruturais

O ranking evidencia um padrão preocupante: a maioria das piores cidades está concentrada na Amazônia Legal, com destaque para os estados de Roraima e Pará, regiões marcadas por isolamento, infraestrutura deficiente, baixa oferta de serviços públicos e pressões ambientais intensas.

Especialistas ressaltam que a presença de atividades como o desmatamento, garimpo ilegal e conflitos fundiários agrava as condições de vida e limita a implementação de políticas públicas eficazes.