A Ilha de Páscoa, ou Rapa Nui, é conhecida no mundo inteiro por suas enormes esculturas de pedra que encaram o Pacífico e despertam curiosidade há décadas.
Agora, finalmente o mistério sobre quem e como se construiu essas estruturas parece ter chegado ao fim.
Segundo um estudo publicado na revista PLOS One nesta quarta-feira (26), as obras não eram responsabilidade de um único grupo que comandava toda a ilha, como se imaginava.
Em vez disso, diferentes clãs da comunidade teriam organizado a produção dos moai em períodos variados.
Análise em 3D
Para chegar às novas conclusões, a equipe analisou a pedreira onde muitos moai ficaram inacabados.
Os pesquisadores criaram o primeiro modelo 3D de alta resolução do local, usando mais de 11 mil imagens aéreas feitas por um drone – uma técnica chamada fotogrametria.
Diferentes comunidades
Os cientistas identificaram 30 pontos diferentes de extração na pedreira, o que indica que vários grupos trabalhavam de forma independente.
As marcas deixadas no local também mostram que os moai eram transportados para fora da área em direções variadas, antes de seguirem para as plataformas onde seriam erguidos.
Essa diversidade de caminhos e métodos sugere que a produção das estátuas não era controlada por uma liderança central. Em vez disso, cada grupo parecia agir por conta própria.
Discussão na comunidade científica
Outros pesquisadores lembram que a ideia de que Rapa Nui funcionava por meio de vários clãs não é nova e já havia sido apontada por estudiosos no início do século passado.
O novo estudo, porém, retoma essa linha de pensamento ao sugerir que a produção dos moai pode ter sido descentralizada.
Especialistas que não participaram da pesquisa consideram a abordagem interessante e destacam que a hipótese de diferentes grupos familiares atuando na pedreira merece atenção.
Ainda assim, alguns apontam que faltam dados mais robustos para sustentar totalmente essa interpretação.
Por Vitoria Estrela
