O dia em que a Terra rugiu: o som mais alto já registrado percorreu mais de 2 mil km

Estima-se que o estrondo tenha alcançado 310 decibéis, um nível tão extremo que excede em muito o limite no qual o som se converte em onda de choque

A explosão do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883, permanece como o som mais poderoso

A explosão do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883, permanece como o som mais poderoso | Adhari Arief/Wikimedia Commons

A explosão do vulcão Krakatoa, na Indonésia, em 1883, permanece como o som mais poderoso já registrado pela humanidade.

Estima-se que o estrondo tenha alcançado 310 decibéis, um nível tão extremo que excede em muito o limite no qual o som se converte em onda de choque, fenômeno que ocorre acima dos 194 dB.

O impacto auditivo dessa erupção colossal, equivalente à detonação de uma bomba de 200 megatons, ecoou muito além das ilhas que formam o estreito de Sunda e entrou para a história científica e cultural do planeta.

Relatos da época afirmam que o barulho viajou por distâncias extraordinárias. Moradores no Golfo de Bengala, a cerca de 2.000 quilômetros, descreveram o som como artilharia pesada, enquanto registros em ilhas do oeste do Oceano Índico relatam um estrondo comparável ao disparo de uma arma de fogo. Saiba mais na galeria abaixo:

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Devido à velocidade do som, vários desses ouvintes escutaram a explosão somente quatro horas após o evento, uma demonstração impressionante da energia liberada pelo vulcão.

Apesar da unanimidade entre especialistas sobre a intensidade da explosão, o valor exato permanece no campo das estimativas.

Como lembra Michael Ferländer, diretor do Instituto de Tecnologia Auditiva e Acústica da RWTH Aachen University, ninguém estava suficientemente próximo para medir diretamente o fenômeno.

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Assim, as cifras de 310 dB se baseiam em análises posteriores, relatos históricos e estudos de propagação sonora.

O Krakatoa não é o único candidato entre os sons mais intensos já produzidos na Terra. A misteriosa explosão de Tunguska, ocorrida na Sibéria em 1908 e capaz de devastar 2.000 km² de floresta, também figura na lista, embora, assim como no caso do Krakatoa, tenha sido registrada apenas de longe.

Já na era moderna, com uma rede global de sensores atmosféricos e sísmicos, especialistas apontam outro marco: a erupção do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em janeiro de 2022, cujo estrondo foi detectado em vários continentes e provocou perturbações atmosféricas registradas ao redor do globo.

Mesmo com os limites da tecnologia da época, o rugido do Krakatoa continua sendo uma referência incontestável da força natural capaz de moldar paisagens, destruir cidades e reverberar na memória coletiva.

Um lembrete de que, em certos momentos raros e violentos da história geológica, a Terra grita e o mundo inteiro escuta.