Verme causador da Meningite é achado no caramujo africano e em outros moluscos no RJ

De acordo com os dados divulgados, foram coletados 2.600 moluscos, dos quais 230 foram encontrados infectados

De acordo com os dados divulgados, foram coletados 2.600 moluscos

De acordo com os dados divulgados, foram coletados 2.600 moluscos | Márcio Ribeiro/DL

O verme causador da meningite foi encontrado em moluscos terrestres, incluindo o caramujo gigante africano, caracóis e lesmas. Ele foi detectado em 26 cidades do estado do Rio de Janeiro em coletas realizadas entre 2015 e 2019, mas os dados são de um artigo recém-publicado na revista “Memórias do Instituto Oswaldo Cruz”.

A pesquisa, realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) que identificou a presença do verme Angiostrongylus cantonensis, investigou de forma inédita a presença do parasito em 46 cidades, contemplando as mesorregiões metropolitana e centro fluminense.  

De acordo com os dados divulgados, foram coletados 2.600 moluscos, dos quais 230 foram encontrados infectados por A. cantonensis, correspondendo a 9% do total.  A ampla disseminação do verme mencionado no Rio de Janeiro alerta para a possibilidade de novos casos de meningite eosinofílica e indicam risco epidemiológico de transmissão da doença. 

Os moluscos terrestres foram coletados manualmente em terrenos baldios, parques, praças e áreas periféricas com vegetação natural.   A espécie, Achatina fulica, popularmente chamada de caramujo gigante africano, foi a mais frequente nas coletas e com maior número de espécimes infectados, entre 14 diferentes espécies identificadas pelos pesquisadores.

Segundo os estudiosos, os dados indicam que o caramujo gigante africano pode representar o maior risco para a população, considerando sua grande presença nas áreas urbanas.  

O estudo

A investigação foi realizada no âmbito de pesquisa científica desenvolvida pelo Laboratório de Malacologia do IOC, que atua como Laboratório de Referência Nacional para Esquistossomose-Malacologia junto ao Ministério da Saúde. 

O trabalho é resultado de dissertação de mestrado desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Biologia Parasitária do IOC, por Paulo Sergio Rodrigues, com orientação da chefe do Laboratório de Malacologia, Silvana Thiengo. 

O estudo contou com colaboração do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do Instituto. 

Meningite eosinofílica 

A meningite eosinofílica causa inflamação das meninges, membranas que envolvem o sistema nervoso central, incluindo o cérebro e a medula espinhal.  Dor de cabeça é o sintoma mais comum da doença, mas também podem ocorrer rigidez da nuca, febre, distúrbios visuais, enjoo, vômito e a sensação de formigamento ou dormência.

Na maioria dos casos, o paciente se cura espontaneamente. Porém, o acompanhamento médico é importante porque alguns indivíduos desenvolvem quadros graves, que podem levar à morte. 

Não existem vacinas contra ela. Crianças e pessoas que entram em contato com a terra em hortas, canteiros ou jardins são consideradas grupos de risco para a doença. Até o momento, a única possibilidade de prevenção é evitar o contato com os vetores ou com as secreções que eles eliminam.