Uma família voltada para uma causa. Há três gerações e 20 anos de história, a Associação Lar de Amparo Vovó Walquiria segue na luta para cuidar dos 17 idosos presentes na unidade e manter as portas abertas, na Cidade Náutica III, em São Vicente.
Atualmente, Iva Cristina Moura de Almeida Monteiro, neta da Vovó Walquiria, é a presidente a associação. Ela conta que a unidade enfrenta diversos problemas e necessita de ajuda para poder solucionar.

“A estrutura nova foi construída em 2004. Em 2005, veio a RDC 283, uma norma da Anvisa, que muda totalmente a estrutura física e os tipos de profissionais que cuidam dos idosos. Nossa maior dificuldade está na reforma. Por exemplo, nossos quartos são coletivos, um feminino e outro masculino, mas precisa ter um quarto para cada quatro idosos com suíte. Não temos como fazer essa reforma grande como eles solicitam. Precisamos também de equipe profissional da área da saúde, equipe técnica. Necessitamos de médico que venha, no mínimo, uma vez por semana aqui, assistente social, fisioterapeuta. Da equipe técnica temos enfermeiro e nutricionista. Alimentação também é uma preocupação. Precisamos de sócios, mantenedores, padrinhos para conseguirmos dar uma dignidade maior para nossos idosos e continuar esse trabalho”.
Além disso, o Lar de Amparo Vovó Walquiria precisa até de engenheiros para fazer o estudo das reformas necessárias, além de material de construção para a obra. Outra situação irregular é a falta de registros para os voluntários. “Todos que trabalham aqui são voluntários. Pela legislação, eles precisam ter contrato por CLT, só a equipe técnica tem contrato de prestação de serviço. Mas por causa das nossas condições, eles só recebem uma ajuda de custo, não são registrados”.
A expectativa de Iva é que, após solucionar todos os problemas, a associação possa voltar a atender até 50 idosos. A maior esperança da presidente é que a unidade consiga sanar as pendências. “Sonho em conseguir fazer todas as adequações que a legislação exige e dar uma dignidade maior para nossos idosos, com mais alegria e mais voluntários na casa para dar um amparo melhor. Além de continuar esse trabalho, que começou com idosos carentes. Quero seguir com esse foco. Abrir as portas para continuar esse atendimento”.
Hoje, Vovó Walquiria, que mora dentro da unidade, já não pode mais participar ativamente da administração por causa da idade. Segundo a neta, a avó cumpriu sua missão. ”Ela fica muito feliz. Sempre fala que o trabalho dela é por Deus, que se ela chegou aqui foi por amor ao próximo e que ela cumpriu sua missão”.
HISTÓRIA
A Associação Lar de Amparo Vovó Walquíria nasceu em 1993. Tudo começou quando Lindaura Moura, filha da vovó Walquiria, trabalhava em uma instituição que cuidava de idosos. “Minha mãe era atendente de enfermagem. Esse asilo onde ela trabalhava tinha uma parte social e outra particular. A responsável decidiu não ter mais a parte social e falou para minha mãe para chamar a família dos que ainda possuíam parentes, e os que não tivessem era para levar para o abrigo de idosos. Como minha mãe não gostou da forma como a mulher estava tratando os idosos, ela levou para casa até a prefeitura dar um jeito de achar um lugar para eles”, explicou Iva.
Na casa de Walquiria, Lindaura e Iva, no bairro Sá Catarina de Moraes, começou o embrião do Lar de Amparo. A população local passou a ajudar com doações e o projeto cresceu.
“Um dia minha avó passou numa reportagem na Ana Maria Braga (TV Globo), e surgiu um grupo de pessoas de São Paulo para auxiliar. Minha avó explicou que para ela montar uma instituição não daria para ser na casa dela, teria que ser em outro lugar. Eles foram na prefeitura e a Administração municipal fez um contrato de concessão de uso por 45 anos. Esse grupo construiu toda a estrutura física da associação e em 2004 mudamos para cá”, contou a presidente da Associação, que em novembro completa 21 anos.