Amor, carinho e atenção. Essas são as ferramentas necessárias para ser voluntário no Lar Vovó Walquiria. Quem garante é Maria Vitorina Faria, que há 3 anos presta serviços na unidade, cuidando da área de almoxarifado e bazar.
“Adoro aqui. Amo! É uma coisa que toca no coração”, conta a voluntária. Entre os idosos, ela ganhou o apelido Vita. Não demora muito para um senhor vir chamar a atenção dela, dando-lhe bom dia. “Sou eu, amor!”, responde Maria Vitorina, com um sorriso no rosto.
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Vita falou sobre sua rotina no bazar. “As pessoas doam e nós vendemos para angariar fundos. Doam de tudo. Roupa tem bastante como calças, blusas, moletom e até roupa íntima. Mas o que precisamos mais são alimentos”.
Veterana na casa, Maria das Graças dos Santos sabe na ponta da língua o tempo de Lar Vovó Walquiria. “Já são 10 anos e 4 meses”. Ela esteve na associação desde os tempos do Sá Catarina de Moraes.
“O que eu sinto é muito amor pelos avozinhos. A Walquiria batalhou muito por isso. Estamos aqui para dar uma força a ela, e hoje, para a neta. Esperando que a melhora venha um dia para nós”.
Ela é responsável pela lavanderia do local e contou sobre o dia a dia. “É muita roupa. Mas o trabalho não é muito pesado porque temos máquinas industriais, a máquina de lavar, a secadora, centrifuga. Não é muito cansativo, mas é necessário. Lavo, seco, dobro toda a roupa. Cada avozinho tem a sua roupa identificada. Depois de tudo eu guardo cada roupa no armário deles.
Bem-humorada, Maria das Graças recordou como era a situação antes do maquinário industrial, também fruto de doações. “Ah, meu filho. Nem me pergunta. Tinha uma máquina de lavar, mas era tudo no tanquinho, não tinha centrifuga. Era na munheca. E tinha os varais lá fora. No verão, eu ia com aqueles chapéus de mexicano e quando ia levar outra roupa para pendurar, a roupa estendida já estava seca. Aquela época era difícil. Foi um sofrimento. Mas Deus tocou no coração de uma pessoa que trouxe essas máquinas para ajudar”.
Na área da lavanderia também há problemas. “Aqui eu necessito de um ajudante (risos). A lavanderia precisa ser em outro local porque aqui fica muito próxima da cozinha. Para ser erguida na nova área, é necessário material de construção e gente para trabalhar e fazer essa reforma. No mais, vamos dando conta. Tudo se dá um jeito”.

Sacrifícios
Maria das Graças mora na Vila Margarida e, de segunda a sábado, faz o mesmo percuso até o Lar de Amparo Vovó Walquiria. Um percurso de aproximadamente 6 quilômetros, que ela fez a pé durante muito tempo.
“São 10 anos vindo da Vila Margarida a pé. A instituição não tem como pagar duas conduções e como os avozinhos precisam do meu serviço, todos os dias eu vinha e andava por 6 quilômetros. Agora eu já estou na terceira idade e consegui tirar a carteirinha para andar de ônibus gratuitamente”.
Sempre disponível, a voluntária sempre encontra uma forma de ir e se desdobra para isso. “Se eu tiver um médico que cai no período da tarde, eu venho na parte da manhã. Se for na manhã, eu vou ao médico e depois venho pra cá. Não deixo os avozinhos na mão porque eles precisam”.
ALÉM DO DINHEIRO
Iva Cristina Moura de Almeida Monteiro ressaltou que, quando é feito o pedido de ajuda para o Lar Vovó Walquiria, as doações não precisam ser realizadas em dinheiro. A presidente garantiu que o auxilio por meio de parcerias é muito mais requisitado.
“Quando falamos que precisamos de mantenedores, padrinhos, é por isso. Nós não queremos dinheiro. Muitas vezes, uma parceria nos ajuda muito mais que o dinheiro. Por exemplo, chegamos a utilizar 4 quilos de carne diariamente. Se tivéssemos sete açougues para doar essa carne a cada dia da semana, iriamos manter a alimentação dos idosos, e não seria oneroso para os estabelecimentos, que iriam doar 4 quilos uma vez na semana”.
“A mesma coisa serve para todos os setores. Uma empresa cede alguns sacos de cimento, outra tijolos. Se conseguíssemos este tipo de padrinho, poderíamos realizar as reformas necessárias para melhorar a qualidade de vida dos nossos idosos”.