Uma voz amiga ao telefone

Os 51 voluntários do posto de Santos se revezam em turnos de quatro horas. Atendimento ocorre 24 horas por dia.

Em uma casa na Rua Campos Melo, 189, no Macuco, em Santos, impera a serenidade. Tanto na decoração das dependências como no modo de agir de seus voluntários, selecionados em um criterioso processo de seleção. O local descrito trata-se do Centro de Valorização da Vida (CVV) Santos, entidade que presta apoio emocional por meio de contato telefônico.

O posto hoje conta com 51 voluntários, que se revezam em turnos de quatro horas de atendimento. O CVV Santos funciona de modo ininterrupto. Seguindo os preceitos desenvolvidos pela entidade nacional, que tem 52 anos de existência e 68 postos de atendimento em todo o Brasil, a missão é ouvir as pessoas em momentos de dificuldade, oferecendo uma voz amiga. É proibido julgar. Aceitação é o que os voluntários buscam transmitir.

As atividades em Santos começaram em 1º de fevereiro de 1980. “O trabalho do CVV é composto na sua totalidade por pessoas comuns, por leigos, nós não somos especialistas. Então o que uma pessoa comum, que não tem conhecimento técnico e nem competência técnica, pode fazer para auxiliar alguém que não está bem? Estando disponível”, sintetiza o voluntário Renato Caetano de Jesus, porta-voz do posto de Santos.

Liberdade para se expressar

Os problemas relatados pelas pessoas que procuram o serviço em geral tem como pilar a solidão. São casos de depressão, separação conjugal, perdas financeiras, propensão ao suicídio, entre outros. “A gente vive tempos em que a intolerância entre as pessoas está muito alta”, comenta Caetano.

Os problemas contados aos voluntários do CVV fazem parte da extrema intimidade de quem busca o serviço. Visando o sigilo absoluto, a entidade não usa identificador de chamadas. Um outro fator para manter o sigilo é a descrição dos voluntários, que não divulgam em sociedade a função, e chegam, em alguns casos, a usar pseudônimos para evitar qualquer tipo de reconhecimento, que pode prejudicar o andamento da conversa.

“O que é contado não será compartilhado com ninguém. Isso é muito confortável para a pessoa atendida”, analisa o porta-voz Renato Caetano de Jesus.

O atendimento também é feito via Skype em Santos. Pelo site www.cvv.org.br é possível contato por e-mail e chat.