A escalada do conflito no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, principal gargalo marítimo do Golfo Pérsico, não ameaça apenas o mercado global de petróleo e gás.
A região é um hub estratégico para a produção de alumínio – e o Brasil, como fornecedor de matérias-primas e produtor do metal, já começa a sentir os efeitos da crise.
O estreito é rota obrigatória para mais de 5 milhões de toneladas de alumínio embarcadas anualmente por fundições do Bahrein, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
Juntos, os países do Golfo respondem por mais de 8% da produção mundial do metal, segundo o Instituto Internacional do Alumínio (IAI). Com a interrupção do fluxo marítimo, tanto compradores globais quanto exportadores de insumos, como o Brasil, estão na linha de frente do impacto.
O que muda no Brasil?
O mercado brasileiro vive um dilema. De um lado, o país está entre os 10 maiores produtores mundiais de alumínio e pode eventualmente se beneficiar da demanda reprimida de compradores ocidentais.
De outro, as exportações nacionais de bauxita e alumina, insumos básicos para a produção do metal, seguem no sentido inverso, justamente para abastecer as fundições do Golfo.
Em 2025, o Brasil exportou 170,7 mil toneladas de bauxita exclusivamente para os países do Conselho de Cooperação do Golfo (Emirados Árabes, Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Catar e Kuwait) – o equivalente a 3% do total vendido ao exterior.
A alumina, óxido de alumínio refinado a partir da bauxita, também está na rota de colisão. O Bahrein, por exemplo, é o quinto maior importador do composto produzido no Brasil.
Câmbio, fretes e concorrência interna
Para o Brasil, os efeitos não se limitam à queda nas exportações de insumos. O país também importa alumínio de países como China e Catar, e sentirá o impacto do aumento generalizado dos preços globais, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Além disso, a escalada dos preços do petróleo tende a elevar os custos de frete marítimo, comprimindo margens e pressionando a cadeia logística.
No mercado doméstico, a concorrência externa também pesa. O Brasil produz cerca de 1 milhão de toneladas de alumínio primário por ano, das quais 480 mil toneladas foram exportadas em 2025.
O restante abastece a indústria local, que agora pode enfrentar pressão de alta nos preços internos. Enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, a incerteza deve continuar contaminando o setor.
