Dirigente do Santos vira esperança do torcedor durante férias do elenco

Enquanto os jogadores aproveitam pausa no futebol brasileiro, Dagoberto, dirigente do clube, trabalha dobrado para fechar com reforços

Após vencer o América-MG, pela última rodada do Brasileirão, no dia 11 de dezembro, o Santos garantiu o vice-campeonato do torneio e já entrou de férias. Enquanto os jogadores viajam e aproveitam o tempo de descanso, um funcionário em especial do clube tem que trabalhar dobrado. Trata-se de Dagoberto Santos, superintendente de futebol do time alvinegro.  

O dirigente é o principal responsável pelas contratações do Alvinegro Praiano para o ano de 2017. Durante esta pausa do futebol brasileiro, ele tem realizado plantão na Vila Belmiro para acertar com alguns atletas pedidos pelo técnico Dorival Júnior. Eles, inclusive, conversam diariamente por telefone para acertar alguns detalhes e correr atrás de possíveis reforços. 

Até o momento, Dagoberto, que trabalha em parceria com o empresário Luiz Taveira, fechou com quatro jogadores para 2017. São eles: o zagueiro Cléber, do Hamburgo (ALE), o volante Leandro Donizete, que se despediu do Atlético-MG, o lateral-direito Matheus Ribeiro, destaque no Atlético-GO, e o atacante Vladimir Hernández, do Junior Barranquilla (COL).

Em entrevista ao Jornal Diário do Litoral, Dagoberto, que teve passagem pelo Santos entre 2001 e 2008, e retornou ao clube no mandato do presidente Modesto Roma Júnior, em 2014,  falou também sobre o seu dia a dia no clube, os bastidores do mercado do futebol brasileiro e a possibilidade de acerto com novo reforço nos próximos dias. Confira: 

De que forma se deu a sua chegada à superintendência do Santos?
Tenho uma antiga relação de amizade e confiança com o presidente Modesto Roma Júnior. Trabalhamos juntos na área administrativa e no Futebol Feminino do Santos na década passada. Quando se deu a campanha eleitoral de 2014, ele pediu meu apoio no projeto de reestruturação do clube e do futebol, pedindo atenção especial para esta área, onde atuei em outros clubes. Com a vitória, montamos o elenco cuja base ai está, bicampeã estadual, vice da Copa do Brasil em 2015 e do Brasileiro em 2016. Sempre com muitos jogadores da Base do Santos FC que é o nosso DNA. 

Você teve uma passagem pelo Atlético-PR, né? Como foi o trabalho pela equipe paranaense?
Foi muito bom. Conseguimos conscientizar os dirigentes da importância de usar o Estadual para revelar jogadores e preparar melhor o time para o Brasileiro e a Libertadores, o que fizemos por lá, pois tivemos mais tempo de pré-temporada e avançamos além de nossas expectativas nas competições subsequentes. Ainda desenvolvemos o Departamento de Inteligência no clube, o que facilita o advento de atletas da base e a visão do mercado, que até hoje funciona e bem no Atlético-PR.

Como teve início a sua relação com o presidente Modesto Roma Júnior?
Conheci o Modesto em 2004, quando ele chegou ao clube para gerir a Secretaria Social, onde ele, com nosso apoio, fez uma revolução informatizando o setor e criando as carteirinhas digitais de acesso ao estádio. Depois atuamos juntos no Futebol Feminino do Peixe no processo de profissionalização do setor que começou em 2007. Desde lá nutrimos grande amizade. O que não muda nossa relação profissional. Ele é o presidente eleito e eu seu superintendente de futebol. Ele define a estratégia e eu sugiro a politica e as ações que devemos fazer quanto ao elenco profissional e na base. Por exemplo, o time sub-23 que tem dado frutos ao Santos, como Vitor Bueno, Mateus Nolasco e Artur, foi ideia minha, mas que o Modesto atuou junto, sugerindo o treinador (Kleiton Lima), que é de nossa total confiança, e ajudando a montar o time. Na Base, por exemplo, nosso gerente Ronaldo Lima, veio por sugestão do presidente e tem se mostrado competente, acabando com a indicação por amizade e fazendo valer a meritocracia na formação de nossos garotos da base. Minha relação com o Modesto é de amizade sim, mas sem deixar a mesma suplantar o profissionalismo.

Enquanto os jogadores estão de férias, você tem um papel fundamental no clube…
Usamos várias ferramentas para contratar os reforços que precisamos. A primeira é olhar pra base, que é a cultura de nosso clube. Formar ídolos em casa. Outra é usar o Departamento de inteligência, criado por nós, que tem profissionais reconhecidos no mercado e que nos trazem dados de vários atletas que nos interessam. Outro recurso são as sugestões de nossa comissão técnica. Com esse radar pronto vamos ao mercado, considerando nossas carências e as opções, pois toda negociação é difícil e o Santos tem a política de não entrar em leilão por atleta algum. Afinal, não existem muitos fora de série no futebol! E os raios saem da Vila. São forjados aqui e não comprados ou importados para o Santos! Foi assim com Pelé, Robinho, Neymar… 

Mesmo com o Dorival Júnior de férias, você mantém contato diário com o treinador sobre contratações?
Férias é uma palavra que na prática inexiste no futebol. Mesmo os atletas não podem se descuidar da saúde, afinal dependem do corpo para trabalhar. Dito isso, eu e o Dorival (Júnior)somos profissionais experientes que já sabemos dessa situação e temos mantido contato diário para fecharmos os reforços o quanto antes. O trabalho é diário e quase de 24 horas.

A ideia da diretoria é mesmo construir uma equipe forte para a próxima temporada? 
O Santos FC tem uma base consolidada. Estamos trabalhando para manter essa base, sem saídas e trazendo reforços pontuais. Precisamos de reforços para o elenco, afinal voltamos para a Libertadores e o calendário de 2017 é mais longo em várias competições. Com isso precisamos de nomes com experiência. Nesse sentido já trouxemos o Cléber zagueiro e o atacante colombiano Vladmir Hernandez. Precisamos de mais peças e estamos no mercado agindo para compor o elenco que tem por objetivo vencer todas as competições que disputar.

Quais são os alvos do clube?
O torcedor tem que entender que o mercado de futebol é volátil e tem muitos atores. O silêncio e a ação estratégica são vitais para fazer os melhores negócios para o clube. Temos posições carentes, mas não posso pontuá-las pois isso vai agitar o mercado e vai desvalorizar ou desmotivar atletas que temos na posição no clube, que hoje são nosso patrimônio. Entendo a ansiedade do torcedor. Mas a compreensão é necessária. Veja, os associados do clube elegeram esta diretoria para gerir o clube. A eles cabem a decisão dessas ações por escolha do quadro associativo. Não podemos ser ditados pela imprensa que tenta descobrir os negócios antes de se concretizarem. Entendo que é inerente a profissão de jornalismo essa ação. Mas é obrigação do gestor de futebol agir em silêncio buscando o êxito do que busca no mercado. Senão se cria expectativas desnecessárias ao torcedor.

Tem mais alguma contratação próxima de ser concretizada?
Sim, mas não cabe ao superintendente de futebol fazer o anúncio, mas ao presidente do clube e os profissionais de Comunicação do mesmo. Quando os reforços estiverem devidamente contratados, registrados, com exames em dia, serão anunciados. Essa é a ação que defendo e é política do clube nesse assunto.

E sobre o Robinho? O torcedor santista pode realmente sonhar?
Quem cuida desse assunto é o presidente Modesto Roma. Robinho é um ídolo do clube, tem história aqui e portas abertas. Se vier será um grande reforço e pode conquistar aqui os dois títulos que não tem na carreira: a Libertadores e o Mundial. Com ele, nossas chances aumentam. Afinal, foi um dos artilheiros do Brasil em 2016. Mas, como é uma contratação estratégica, quem cuida do assunto é a presidência. Não posso falar nada do tema.

Como andam as conversas sobre Berrío ?
O Santos FC mantém excelente relação com o Atlético Nacional desde a compra do Copete. Buscamos informações, mas os valores pretendidos para a liberação suplantam o planejado pelo Santos FC. Fazemos contratação dentro de nossa realidade, pois entendemos para se ter um time campeão é vital manter salários em dia. Não adianta fazer loucuras e não conseguir se manter no dia a dia. Jogador se motiva com a palavra cumprida. É isso que dá credibilidade no futebol e essa sempre foi nossa estratégia.

Pode falar algo sobre Marinho, ou Marcos Guilherme?
O torcedor tem que entender que o silêncio é vital para fechar o elenco, como disse anteriormente. Portanto, não posso comentar esse ou aquele atleta sem que a negociação em si não tiver finalizada.

A ideia é fechar o elenco até que dia? 
Time grande como o Santos não põe data pra fechar o elenco. Fica atento todo dia ao mercado e procura se reforçar para ser campeão sempre. Portanto, não trabalhamos com data, mas com oportunidades. Se a oportunidade for boa e tiver dentro da realidade do Santos, o clube se fará presente. Esperamos ter a maior parte do elenco na reapresentação sem dúvida, mas dizer que temos a ideia de “fechar” o elenco até esta data é uma afirmação que não condiz com a verdade do mercado. E o que rege qualquer atividade econômica é o mercado e o futebol ainda tem a variável da emoção. Então, datar nunca é uma ideia boa.

O que pode dizer ao torcedor, que espera por mais reforços?
O torcedor do Santos Futebol Clube pode ficar tranquilo que temos trabalhado com afinco para fazermos um 2017 brilhante, com o Santos buscando todos os títulos que ele vai disputar. Nosso objetivo e desejo é sempre o da conquista e o da vitória. Não pode ser diferente em um clube que tem a história, a grandeza e a torcida do Santos Futebol Clube. Temos consciência disso e temos trabalhado incansavelmente nesse objetivo ousado, pois a história é escrita por quem tem ousadia na hora de agir. Entretanto, o desafio momentâneo que se impõem é de se fazer mais com menos. É assim que estamos trabalhando. Não comprometemos nosso orçamento, nem praticamos a teoria do bolso furado, que é de se gastar mais do que se pode pagar, nem somos reféns do paradigma perverso e ultrapassado, defendido por alguns, de que o importante é ser campeão, custe o que custar. Não raramente custa o mais precioso de todos os títulos: o futuro do clube!