França e Dinamarca se posicionam contra o Qatar, sede da Copa do Mundo

Em maio deste ano, a Anistia Internacional pediu para a Fifa pagar uma indenização de pelo menos 440 milhões de dólares (R$ 2,27 bilhões) aos trabalhadores migrantes que sofreram abusos no Qatar

Bola da Copa do Mundo no Catar

Bola da Copa do Mundo no Catar | Fernando Frazão/Agência Brasil

Na contagem regressiva pelo início da Copa do Mundo do Qatar, França e Dinamarca resolveram, de diferentes formas, boicotar o país sede do Mundial. De um lado, cinco cidades francesas vetaram eventos ou telões para exibir os jogos. Do outro, os dinamarqueses “apagaram” seu escudo do uniforme.

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.


A Prefeitura de Paris anunciou nesta segunda (3) que – assim como Lille, Estrasburgo, Reims, Bordeaux e Marselha – não organizará eventos ou disponibilizará telões para transmissões dos jogos. À AFP, o Secretário de Esportes da capital francesa, Pierre Rabadan, culpou as “condições da organização” da Copa pela postura francesa.

“Para nós, não estava em questão organizar espaços com telões (para a transmissão da Copa do Mundo) por várias razões: a primeira são as condições em que essa Copa foi organizada, tanto em termos ambientais quanto sociais. A segunda é o fato de acontecer em dezembro”, disse Rabadan.

Já Pierre Hurmic, prefeito de Bordeaux, chamou o Mundial do Qatar de “desastre humano e ambiental” e afirmou que “comprometidos com os valores do compartilhamento, da solidariedade no esporte e da construção de um lugar mais sustentável, não podemos contribuir para a promoção da Copa do Qatar”.

Em maio deste ano, a Anistia Internacional pediu para a Fifa pagar uma indenização de pelo menos 440 milhões de dólares (R$ 2,27 bilhões) aos trabalhadores migrantes que sofreram abusos no Qatar, país anfitrião da Copa do Mundo de 2022.

Na ocasião, a entidade alegou que desde 2010 houve uma “litania de abusos”, quando a Fifa concedeu ao Qatar a sede da Copa do Mundo de 2022 “sem pedir melhorias em suas práticas trabalhistas”. A organização máxima do futebol disse que está “avaliando o programa proposto pela Anistia”, observando que “envolve uma ampla gama de infraestrutura pública que não é da Fifa ou específica da Copa do Mundo”.

CADÊ O ESCUDO?
A França não foi a primeira a se posicionar contra a Copa do Qatar. No fim de setembro, a seleção dinamarquesa divulgou seu uniforme para a competição, e um detalhe chamou a atenção: o escudo desbotado.

Em protesto pelas condições trabalhistas no país-sede do Mundial, a Dinamarca optou por camisas monocromáticos, inclusive os logotipos da empresa e da Federação Dinamarquesa.

Para completar, o terceiro uniforme será totalmente preto, simbolizando o luto pelas vítimas das construções de estádios para o torneio. Segundo o jornal “The Guardian” publicou no ano passado, ao menos 6,5 mil trabalhadores imigrantes morreram no país desde o início das obras.

“Nós não queremos propagar nossa imagem durante um torneio que custou milhares de vidas. Nós apoiamos a seleção dinamarquesa até o fim, mas isso não é o mesmo que apoiar o Qatar como país sede”, explicou a Hummel Sport, fornecedora de materiais esportivos da seleção europeia.

A seleção dinamarquesa estreou o uniforme na última data Fifa, em jogos válidos pela Liga das Nações. A Dinamarca perdeu para a Croácia por 2 a 1 e venceu a França por 2 a 0.

O Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2022 não gostou do posicionamento dinamarquês e rebateu as informações por meio de uma nota oficial: “Contestamos a afirmação da Hummel de que este torneio custou a vida de milhares de pessoas. Além disso, rejeitamos a banalização de nosso compromisso genuíno de proteger a saúde e a segurança de 30 mil trabalhadores que construíram os estádios da Copa do Mundo e outros projetos do torneio”.

França e Dinamarca estão no Grupo D da Copa do Qatar, ao lado de Austrália e Tunísia. Os atuais campeões mundiais estreiam contra os australianos, no dia 22 de novembro, às 16h (de Brasília). Os dinamarqueses vão a campo no mesmo dia, às 10h (de Brasília), contra os tunisianos.