Família de japoneses escolhe o Brasil para viver

Eles são um dos muitos imigrantes que vieram do Japão, de navio, em busca de uma vida melhor, há mais de 60 anos

Toyoguchi Nobuhiro é um dos comerciantes mais antigos na Vila São Paulo, há quase 40 anos, em Itanhaém

Toyoguchi Nobuhiro é um dos comerciantes mais antigos na Vila São Paulo, há quase 40 anos, em Itanhaém | Nayara Martins/DL

A família do comerciante Toyoguchi Nobuhiro, de 75 anos, é uma das inúmeras que vieram do Japão, de navio, em busca de uma vida melhor e de oportunidades no Brasil, há mais de 60 anos. No ano de 1958, a família desembarcou no Porto de Santos. 

Há mais de 115 anos, em 18 de junho de 1908, o navio Kasatu-Maru chegou no Porto de Santos com os primeiros imigrantes japoneses. Após quase dois meses de viagem, no navio que saiu do Japão, os japoneses começaram a vida nas cidades do litoral e do interior paulista, após desembarcarem no Porto de Santos. 

Em abril de 1958, a família de Nobuhiro também saiu do Japão em direção ao Brasil e chegou em junho daquele ano, após dois meses. O navio passou pela costa da China e da África durante a viagem. O pai, a mãe e os quatro filhos estavam à procura de trabalho e de uma vida mais segura a todos.     

“Fomos morar na cidade de São José dos Campos, onde um tio de meu pai já trabalhava como agricultor e plantava batata, arroz, no Vale do Paraíba. Após dois meses, a família mudou para trabalhar com avicultura e produção de ovos, em Mogi das Cruzes”, explica.

Nobuhiro conta que, após cerca de um ano, um tio que morava no Paraná convidou a família para trabalhar em cafezal, em uma parceria na safra de café. Mas a família também não ficou por muito tempo, devido às fortes geadas na região. 

E o seu pai foi convidado por outro parente para ir trabalhar em Presidente Venceslau, localizada no interior de São Paulo e já na divisa com o Mato Grosso. 

“Lá também trabalhamos com granja e ração. Meu pai chegou a dar aulas de japonês em uma escola da comunidade na região”, conta.

Lembra que a família também arrendou uma terra para o cultivo de algodão, que na época, estava em grande produção. “Mas o patrão vendeu o terreno inteiro para outras pessoas e tivemos que sair novamente”. 

Desta vez, eles foram morar em Caçapava e em Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, para trabalhar no cultivo de tomates. “A terra era boa, mas faltava água para irrigar a plantação e acabou não dando muito lucro. Mas ficamos uns três anos”. A família trabalhou ainda com o cultivo de pimentão, vagem. Mas voltaram a São José dos Campos para plantar tomate e legumes. 

Após isso, eles foram morar, pela segunda vez, em Mogi das Cruzes e em Biritiba Mirim, onde arrendaram uma área para o plantio de hortaliças. 

Litoral

No ano de 1986, Nobuhiro e sua esposa decidiram vir morar em Itanhaém, no litoral sul, convidados por parentes que já estavam na Cidade. Ele começou a trabalhar em uma lanchonete, no bairro Vila São Paulo, onde está até hoje. O comerciante alugou o ponto que pertencia a um cunhado da família Watanabe. 

Ele lembra que conheceu sua esposa e casou em Mogi das Cruzes. O casal teve três filhos que estudaram na EE Benedito Calixto, em Itanhaém.

Já o seu pai acabou falecendo em Mogi, aos 75 anos, devido a um câncer no estômago.  

Nobuhiro voltou ao Japão com a sua esposa para passear e procurar por alguns parentes, há cerca de dez anos. 

“Meus parentes e vizinhos já tinham ido embora da região, devido a um tsunami e um terremoto de 8,9 graus que provocou um acidente de radiação na usina nuclear em Fukushima, em março de 2011”, explica.   

Atualmente, Nobuhiro é o proprietário da lanchonete, onde trabalha há 37 anos com a sua esposa. O comerciante é bastante conhecido pelos moradores do bairro. “Alguns clientes mais antigos já morreram como o Daniel, José Rosendo e outros”, lamenta.

Relembra, com saudades, da época em que veio morar em Itanhaém, na década de 80. 

“Hoje, a cidade cresceu bastante e já há muitas franquias fortes no comércio. Sinto saudades do tempo em que começamos a atuar na lanchonete, pois tinham poucos estabelecimentos no bairro e era mais tranquilo”, completa.