Imagine crescer frequentando uma praia paradisíaca e, de repente, encontrar um muro impedindo sua entrada. Essa é a realidade angustiante que muitas famílias enfrentam hoje no litoral norte da Jamaica. O avanço de grandes empreendimentos está transformando espaços públicos em áreas restritas para resorts de luxo.
Cercas impedem o lazer e o trabalho local
Moradores de Steer Town perderam o contato com as águas que utilizavam há várias gerações para o trabalho e o lazer. Antigamente, o acesso em Mammee Bay era livre para todos, mas a venda da área em 2020 mudou tudo drasticamente.
Além disso, a construção de residências bloqueou o acesso ao Rio Rugidor, um local muito popular para banhos. Devon Taylor questiona à BBC: “Como é possível usar uma praia ou um rio por centenas de anos e, em questão de dias, não ter mais acesso a eles?”.
O boom turístico e a exclusão da população
A Jamaica recebeu mais de 4 milhões de visitantes recentemente, consolidando sua imagem como um destino de areias brancas. No entanto, enquanto o turismo cresce, os moradores locais relatam barreiras cada vez maiores para chegar ao oceano.
Consequentemente, a população sente que está perdendo sua própria terra para o lucro estrangeiro imediato. Monique Christie alerta que, em regiões famosas como Montego Bay, talvez restem apenas quatro praias públicas para uso comum.
Uma legislação antiga que favorece resorts
O grande problema jurídico reside na Lei de Controle das Praias, que foi criada originalmente no ano de 1956. Essa regra estabelece que o Estado é o dono do litoral e pode decidir quem tem permissão de entrar.
Antigamente, o acesso em Mammee Bay era livre para todos / Reprodução/YoutubePortanto, o governo consegue transferir áreas costeiras para empresas privadas com relativa facilidade burocrática. Segundo Taylor, “Nossos laços culturais com os espaços naturais foram dizimados” devido a essa política de transferência de recursos.
Mobilização popular busca justiça no litoral
Desde a fundação de um movimento ambiental em 2021, a pressão popular para mudar as leis aumentou muito. Os ativistas exigem a revogação de normas antigas e a abertura de praias que sempre foram frequentadas pelo povo.
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Atualmente, existem cinco processos judiciais que tentam garantir o acesso a locais icônicos como a Blue Lagoon. O advogado Marcus Goffe afirma que, “Eles estão transferindo nossos recursos naturais para entidades estrangeiras” de forma preocupante.
Dicas para um turismo mais consciente na ilha
Você pode ajudar a mudar essa situação escolhendo destinos que valorizam a economia local e os moradores. Priorizar hospedagens administradas por jamaicanos garante que seu dinheiro circule diretamente dentro da comunidade visitada.
Taylor sugere que os visitantes evitem resorts que proíbem a entrada de pessoas da região nas praias. Ele afirma que “É uma tarefa muito simples: faça sua pesquisa, invista seu orçamento com sabedoria e aproveite os espaços locais na Jamaica”.