Megaterremotos desvendados: expedição perfura fundo do mar para entender fenômeno

Missão internacional coleta amostras inéditas para compreender falhas sísmicas e tsunamis

A região foi cenário do megaterremoto de 2011, que atingiu magnitude 9,1

A região foi cenário do megaterremoto de 2011, que atingiu magnitude 9,1 | Reprodução/Youtube

A ciência ainda engatinha diante do que se esconde no fundo do mar. Muito além da biodiversidade inexplorada, esse ambiente também guarda registros de eventos que marcaram a história do planeta, como terremotos e tsunamis devastadores. 

Foi com esse propósito que a Expedição 405 do Programa Internacional de Descoberta dos Oceanos (IODP) iniciou uma jornada de quatro meses na costa do Japão.

A bordo do navio Chikyu, o maior de perfuração científica já construído, uma equipe formada por pesquisadores e técnicos especializados extraiu sedimentos das profundezas da Fossa do Japão, localizada a sete quilômetros abaixo do nível do mar. 

A região foi cenário do megaterremoto de 2011, que atingiu magnitude 9,1, deixou mais de 18 mil mortos e desencadeou o acidente nuclear em Fukushima. Um vídeo publicado no canal do Youtube da National Geographic mostra o momento do terremoto na região, veja:

As amostras coletadas vêm do descolamento basal da falha que se rompeu naquele episódio, responsável pelo deslizamento de mais de 50 metros no fundo do oceano. Até então, acreditava-se que essa área das zonas de subducção era estável e se movia de forma lenta e silenciosa. 

O evento de Tōhoku, no entanto, mostrou o contrário: a falha liberou energia de forma abrupta, deslocando grandes volumes de água e formando o tsunami que devastou a costa nordeste japonesa.

Os núcleos de rochas e sedimentos obtidos agora servirão de base para experimentos e simulações. 

Navio Chikyu, o maior de perfuração científica já construído / Reprodução: Nikkei Asia

O objetivo é compreender as condições que tornam possíveis deslizamentos tão intensos e antecipar os riscos de novos tremores de grande magnitude. Segundo os pesquisadores, a Fossa do Japão funciona como um laboratório natural para investigar os mecanismos que geram tsunamis.

Os resultados não interessam apenas ao Japão. Zonas de subducção semelhantes se estendem por outras regiões do mundo, como Chile, Alasca e Indonésia, próximas de áreas densamente povoadas. 

Se falhas rasas como a japonesa também forem capazes de rupturas bruscas, as atuais estratégias de prevenção precisarão ser revistas.

A missão da Expedição 405, portanto, vai além de revisitar o passado. O trabalho busca aprimorar modelos de risco, reforçar planos de preparação e contribuir para a construção de uma resiliência global diante de futuros megaterremotos.