A imagem da Antártica coberta apenas por neve está ficando no passado. O aumento global das temperaturas está levando um evento raro e devastador para o continente: a chuva. E se o gelo derrete mais rápido por lá, o reflexo do aumento do nível do mar bate diretamente aqui, nas praias da nossa região.
Colapso
A chuva funciona como um poderoso acelerador de derretimento. Ela “lava” a neve protetora e cria lagoas na superfície. Essa água extra também se infiltra e lubrifica a base das geleiras, fazendo com que blocos gigantescos de gelo deslizem e desmoronem no oceano com uma velocidade assustadora.
Mortandade
Para a fauna local, a mudança climática é trágica. Pinguins evoluíram para suportar o frio e a neve seca, não a água líquida. Sem a proteção de penas impermeáveis, os filhotes ficam encharcados com as tempestades e acabam morrendo de hipotermia, o que coloca o futuro de espécies icônicas em risco.
Extremos
O principal motor por trás dessa mudança radical atende por “rios atmosféricos”, imensos corredores de ar quente e úmido que estão invadindo o polo sul. Em pleno inverno de 2023, a região chegou a registrar temperaturas positivas (+2,7°C) e temporais, um cenário que a ciência classifica como crítico.
Estrago
Até mesmo a presença humana está ameaçada. A infraestrutura histórica e as bases científicas não foram projetadas para a umidade contínua. Pistas de pouso congelam e ficam inutilizáveis, e as construções estão literalmente afundando devido ao derretimento do solo congelado (permafrost).
*Com informações de Bethan Davies, professora de glaciologia na Universidade Newcastle
