O Palácio do Planalto rompeu o silêncio sobre a intervenção militar em solo venezuelano. Através de seus canais oficiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou forte repúdio à operação aérea comandada por Washington, classificando o episódio como um retrocesso democrático para o continente.
Confira a manifestação na íntegra:
Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional.
Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo.
A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões.
A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz.
A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação.
Tensão Global
A captura de Nicolás Maduro e o bombardeio de alvos estratégicos como o Forte Tiuna dividiram as potências mundiais em dois blocos distintos:
- Frente de Repúdio: Rússia, Irã e Cuba formaram uma frente unida de críticas. O Kremlin alertou para o fim da diplomacia global, enquanto Cuba denunciou o uso de “terrorismo de Estado” em solo latino-americano.
- Reação Regional: Na Colômbia, Gustavo Petro já iniciou a mobilização de tropas na fronteira, temendo o transbordamento do conflito, e exige que o Conselho de Segurança da ONU intervenha imediatamente.
- Via Diplomática: A Espanha tenta atuar como um amortecedor, sugerindo canais de negociação para evitar que o vácuo de poder na Venezuela se transforme em uma guerra civil.
Dilema de Lula
A condenação de Lula ocorre em um momento de extrema fragilidade na relação entre o Brasil e o governo de Maduro. Apesar da defesa da soberania venezuelana hoje, os últimos dois anos foram marcados por hostilidades:
- O Fim da Confiança: O governo brasileiro não reconheceu o resultado das eleições de 2024 devido à falta de transparência e das atas eleitorais, gerando um distanciamento sem volta.
- O Veto Histórico: O Brasil impediu a entrada da Venezuela no BRICS, o que causou ataques diretos do regime de Maduro contra a figura de Lula e o Itamaraty.
- Relação Fria: Até o início de 2026, a postura de Brasília era de total neutralidade, tratando Maduro como um “problema interno da Venezuela”. A nota de hoje, portanto, foca mais na violação do direito internacional do que na defesa direta da figura política do líder capturado.
