Arcabouço é aprovado pela maioria dos deputados de São Paulo

Dos 69 parlamentares paulistas, 50 foram favoráveis ao novo regime de controle das finanças do governo. Texto segue para sanção

As ausências foram destaque entre os paulistas, nove deputados faltaram

As ausências foram destaque entre os paulistas, nove deputados faltaram | Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

O arcabouço fiscal, enviado pelo governo federal ainda no primeiro semestre, foi aprovado pela Câmara dos Deputados na noite desta terça-feira (22). Agora, o texto segue para a sanção do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Foram 379 sim e 64 não. Dos parlamentares de São Paulo, a grande maioria votou favorável, com destaque para as ausências, 9. Interessante também que, do próprio PL foram 6 votos contra e 10 votos a favor.

A nova regra fiscal substitui o atual teto de gastos. O Senado Federal havia feito algumas alterações, o que resultou em inúmeras reuniões de articulação para que a votação fosse realizada na Câmara. É o caminho natural quando a Casa Revisora realiza alterações. Das 4 principais alterações, apenas 3 foram acatadas. Entre elas, a retirada do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) do arcabouço, tanto pela oposição quanto pela situação.

“Votamos pelo novo arcabouço fiscal para garantir investimentos em áreas fundamentais para o desenvolvimento do país com o Fundeb fora da regra para maior viabilidade econômica”, disse a deputada Ely Santos (Republicanos).

“Alcançamos esse objetivo sem comprometer os recursos destinados à Educação por meio do Fundeb, que desempenham um papel fundamental na melhoria da educação básica, desde a creche até o ensino médio. A importância desses recursos não se limita apenas ao financiamento, mas também engloba a garantia da qualidade do ensino, o aprimoramento da formação de professores e o reconhecimento dos profissionais da educação”, afirmou o deputado Alberto Mourão (MDB).

A retirada da chamada “Emenda Randolfe” foi considerada uma manobra do Centrão para seguir na barganha junto ao Executivo. Ela tratava das despesas condicionadas, que trariam receitas extras entre R$ 32 e R$ 40 bilhões para o orçamento de 2024. Agora, resta à equipe econômica de Lula tentar conseguir esses recursos na construção da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Esforços já estão sendo realizados neste intuito é na intenção de propor os cortes de gastos que se farão necessários.

O que muda

Com o novo arcabouço fiscal, 5 mudanças serão essenciais na forma como o governo poderá realizar gastos. A primeira delas, é a determinação para que as despesas cresçam acima da inflação. Esse é o ponto de rejeição entre governo e parlamentares que retira as despesas condicionadas.

O Senado havia garantido que o período de apuração do cálculo de inflação sobre o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para corrigir o limite de gastos seria de janeiro a dezembro do ano anterior. Mas a Câmara recuou e as despesas serão calculadas entre julho de dois anos antes e junho do ano anterior.

Outra mudança, que também é uma perda para o governo, é a retirada do arcabouço do destaque do PDT sobre as verbas para a ciência e tecnologia. A rejeição da criação do Comitê de Modernização Fiscal, destaque do MDB, segundo o governo, também afeta o cotidiano dos brasileiros. A proposta tratava do aprimoramento da governança das finanças federais, aumentando a transparência do orçamento.

“[…] mesmo que tenha sido rejeitada, a emenda do MDB que propunha a modernização fiscal também é de extrema importância. A criação do Comitê de Modernização Fiscal pode resultar em uma gestão mais eficaz das finanças federais, permitindo uma administração ágil e eficiente dos recursos públicos. Portanto, enquanto celebramos essa aprovação, é fundamental não perder de vista a relevância da modernização para alcançar um equilíbrio entre a responsabilidade fiscal e a eficiência na gestão dos recursos”, comentou Alberto Mourão (MDB).

A partir da sanção presidencial, a alta da inflação deverá ser equivalente a 70% do incremento real da receita no ano anterior. As despesas só poderão crescer entre 0,6 e 2,5% ao ano acima da inflação. A meta é zerar o déficit fiscal já em 2024, que possui um piso de investimentos estimado em R$ 75 bilhões.
 

Comemorando

Resultado de acordo entre os líderes da base do governo, técnicos do Executivo e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a retirada do Fundeb e do Fundo Constitucional do Distrito Federal do arcabouço foi comemorada.

“[…] foi um passo importante para enterrarmos de vez o teto de gastos e criar ambiente favorável, principalmente, para diminuir a taxa de juros. É fundamental porque o Brasil precisa não somente fazer investimento público, mas também trazer investimentos privados, porque os juros, nas taxas que estão hoje, não permite que sejam feitos investimentos. Pra isso a gente precisa ter uma boa política de controle de inflação e ter a retomada do crescimento, reindustrialização o país. E o novo arcabouço fiscal faz parte desta estratégia”, disse o deputado Nilto Tatto (PT).

A Câmara dos Deputados terá agenda intensa nos próximos dias para o cumprimento desta estratégia do governo. É que além do arcabouço, existem emendas a vencer. Também tem projetos que retornarão do Senado Federal em tempo apertado.

Veja como votou cada deputado paulista:

DEPUTADO PARTIDO SIM NÃO  AUSENTE
Adilson Barroso Oliveira PL X    
Adriana Miguel Ventura NOVO   X  
Alberto Pereira Mourão MDB X    
Alencar Santana Braga PT X    
Alex Spinelli Manente CIDADANIA     X
Alexandre Leite da Silva  UNIÃO     X
Alfredo Alves Cavalcante PT X    
Antonio Carlos Rodrigues PL X    
Arlindo Chignalia Junior PT X    
Arnaldo Calil Pereira Jardim CIDADANIA X    
Luiz Felipe Baleia Tenuto Rossi MDB X    
Bruno Arevalo Ganem PODEMOS X    
José Augusto Rosa PL X    
Carla Zambelli Salgado de Oliveira PL   X  
Carlos Henrique Focesi Sampaio CIDADANIA X    
Carlos Alberto Rolim Zarattini PT X    
Celso Ubirajara Russomanno REPUBLICANOS X    
Antonio Cezar CorreIa Freire PSD X    
Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada PP   X  
David Bezerra Ribeiro Soares UNIÃO   X  
Carlos Alberto da Cunha PP X    
Mario Palumbo Junior  MDB   X  
Paulo Francisco Muniz Bylinskyj PL X    
Eduardo Nantes Bolsonaro PL   X  
Erika Santos Silva PSOL X    
Fábio Eduardo de Oliveira Teruel MDB X    
Fausto Ruy Pinato PP X    
Felipe Becari Comenale UNIÃO X    
Gilberto Nascimento Silva PSC X    
Guilherme Castro Boulos PSOL X    
Ivan Valente PSOL     X
Jefferson Alves de Campos PL X    
Jilmar Augustinho Tatto PT X    
Jonas Donizette Ferreira PSD X    
Juliana Cardoso PT X    
Francisco Daniel Celeguim de Morais PT X    
Kim Patroca Kataguiri UNIÃO   X  
Luiz Carlos Motta PL X    
Luiz Phelippe Orleans de Bragança PL   X  
Luiza Erundina de Sousa PSOL X    
Fernando José de Souza Marangoni UNIÃO X    
Marcelo de Lima Fernandes PSB X    
Marcio Luiz Alvino de Souza PL   X  
Marco Aurelio Bertaiolli PSD     X
Marcos Antonio Pereira REPUBLICANOS     X
Maria do Parto Mendes Rosas REPUBLICANOS     X
Mario Luís Frias PL X    
Miguel Lombardi PL   X  
Nilto Ignacio Tatto PT X    
Orlando Silva de Jesus Junior PCdoB X    
Marco Antônio Feliciano PL X    
Paulo Alexandre Pereira Barbosa PSDB X    
Paulo Roberto Freire da Costa  PL   X  
Luciene Cavalcante da Silva PSOL X    
Renata Hellmeister de Abreu PODEMOS     X
Ricardo de Aquino Salles PL   X  
Ricardo Augusto Machado da Silva PSD X    
Rodrigo Gambale Vieira PODEMOS X    
Rosana de Oliveira Valle PL X    
Rosângela Maria Wolff de Quadros Moro UNIÃO X    
Rui Goethe da Costa Falcão PT X    
Samia da Costa Bomfim PSOL X    
Simone Aparecida Curraladas dos Santos MDB X    
Tabata Claudia Amaral de Pontes PSB X    
Francisco Everardo Tiririca Oliveira Silva PL X    
Vicente Paulo da Silva PT X    
Vinicius Rapozo de Carvalho REPUBLICANOS X    
Vitor Lippi PSDB X