Cientistas encontram pegadas de dinossauros na Amazônia brasileira em descoberta espantosa

Achado reposiciona Roraima no mapa paleontológico e abre novas frentes de estudo

As pegadas correspondem a várias espécies, segundo os pesquisadores

As pegadas correspondem a várias espécies, segundo os pesquisadores | Reprodução/Youtube

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) confirmaram a existência de pegadas fossilizadas de dinossauros no município de Bonfim, ao norte do estado, em afloramentos rochosos (lajedos) da bacia do rio Tacutu.

O registro é apontado como o primeiro do tipo na Amazônia brasileira e resulta de 14 anos de investigação, iniciada em 2011 durante mapeamentos geológicos liderados pelo geólogo Vladimir de Souza, com participação de Carlos Eduardo Vieira e Lucas Barros. As análises situam as trilhas no Cretáceo, com cerca de 110 milhões de anos.

As marcas aparecem em extensas superfícies de arenito e formam trilhas com mais de 30 metros em alguns pontos, com sequências que se cruzam, sugerindo uso contínuo da área por diferentes espécies.

Detalhes

O conjunto inclui pegadas atribuídas a dinossauros herbívoros e carnívoros — entre eles saurópodes (de pescoço e cauda longos) e terópodes, com menções a formas de velociraptor — e há indícios de animais que ultrapassavam 10 metros.

Segundo os pesquisadores, pelo menos seis gêneros já foram identificados e o total pode superar 20, à medida que novas áreas forem estudadas.

Do ponto de vista paleoambiental, as rochas indicam antigas planícies áridas a semiáridas com lagos rasos e margens arenosas, condições favoráveis à preservação das pegadas.

A confirmação do achado tem repercussão científica e econômica: além de aprofundar o entendimento sobre a distribuição dos dinossauros no Norte do Brasil, o grupo estuda a criação de rotas paleontológicas e a proposta de um parque/geo-parque para educação científica e turismo sustentável na região de Bonfim.