Formação do ‘El Niño’ no Brasil dispara o alerta para alimentos mais caros e apagão

Autoridades alertam que o fenômeno turbinado pelo aquecimento global deve encarecer as compras de supermercado e pressionar o sistema elétrico

El Niño pode fazer o preço dos alimentos subirem no 2º semestre em todo o Brasil

El Niño pode fazer o preço dos alimentos subirem no 2º semestre em todo o Brasil | Tânia Rego/Agência Brasil

O prato de comida mais caro, o risco real de a conta de luz subir ou de um apagão. Esse é o impacto direto que você deve sentir no bolso nos próximos meses. A confirmação do El Niño (que hoje passa dos 80%) não é apenas uma previsão do tempo para o fim de semana: ela colocou as principais autoridades climáticas e de infraestrutura do Brasil em alerta máximo.

Não se trata apenas de “mais calor”. Cientistas do INMET e do Cemaden alertam que o El Niño deste ciclo chega turbinado pelo aquecimento global. O resultado prático é uma divisão drástica no mapa do país, castigando a economia de norte a sul, e um inverno com quase nenhuma onda de frio.

Como o fenômeno mexe com o seu bolso

  1. Alimentos mais caros: A irregularidade de chuvas no Centro-Oeste e Nordeste, somada ao excesso de água no Sul, atrapalha o calendário agrícola. O resultado é a quebra na produção de grãos e a dificuldade no transporte de hortifrúti. Menos comida saindo do campo significa preços mais altos nas prateleiras dos supermercados.
  2. Energia elétrica sob pressão: A falta de chuva severa na região Norte atinge em cheio os reservatórios de grandes hidrelétricas. Para garantir que não falte energia, o país precisa acionar as usinas termelétricas, que operam com custos muito maiores. Essa conta, inevitavelmente, acaba sendo repassada para a fatura mensal da população.

O mapa da crise no Brasil

O país vai viver uma realidade de extremos perigosos e simultâneos:

  • Norte e Nordeste: Rios atingindo níveis criticamente baixos, isolamento de comunidades ribeirinhas e um aumento drástico no risco de incêndios florestais na Amazônia.
  • Sul: Tempestades frequentes, risco severo de enchentes em áreas urbanas e rurais, e deslizamentos de terra.

O “combo” que preocupa a ciência

O grande diferencial deste El Niño é que ele não está atuando sozinho. O planeta vem registrando recordes sucessivos de temperatura nos oceanos.

Quando o fenômeno se soma a essa realidade, as ondas de calor deixam de ser picos isolados e passam a durar semanas. O maior perigo está nas noites excessivamente quentes: sem o resfriamento noturno, o corpo humano não se recupera do estresse térmico do dia, sobrecarregando hospitais e aumentando o consumo de energia com ar-condicionado e ventiladores.

Com informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e do CPTEC/INPE.