PF faz operação contra desvio de verbas destinadas à Covid-19

Dez mandados de busca e apreensão são cumpridos em seis cidades do Estado; investigação apura irregularidades na utilização de recursos federais por parte da prefeitura de Hortolândia na compra de equipamentos

Na manhã desta quarta-feira, a Polícia Federal (PF) cumpriu mandados de busca e apreensão em seis cidades de São Paulo, em uma operação contra desvio de verbas que eram destinadas à compra, pelo município de Hortolândia, no interior de SP, de equipamentos de proteção contra o novo coronavírus. De acordo com a investigação, o superfaturamento dos fornecedores gerou prejuízo de R$ 724,6 mil aos cofres públicos.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão nas cidades do interior paulista: Hortolândia, Campinas, Indaiatuba, São Paulo e Araras. A Polícia também realizou a operação em Santo André, no ABC Paulista. As ordens foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), na capital paulista. A operação recebeu o nome de Involuto.

Em Hortolândia, houve cumprimento de mandado dentro da prefeitura, na Secretaria de Saúde, e os funcionários foram impedidos de entrar no prédio. As ordens cumpridas nos outros municípios foram nas sedes das empresas responsável pelo fornecimento dos materiais ou nas residências dos proprietários.

De acordo com o delegado chefe da Polícia Federal em Campinas, Edson Geraldo de Souza, a investigação apura irregularidades no uso de verbas públicas em quatro contratos firmados pela Prefeitura de Hortolândia entre os dias 18 e 23 de março. Durante o período, o preço da unidade da máscara variou de R$ 10 para R$ 36, em três negociações diferentes. O quarto contrato, segundo a investigação, era para aquisição de óculos de proteção.

Os objetos apreendidos foram documentos e equipamentos eletrônicos. O delegado afirmou também que ainda não é possível individualizar nenhuma conduta e que, após a análise do material, é que a polícia vai identificar quais foram as irregularidades e quem são os responsáveis. A investigação trabalha com a hipótese da participação de servidores, mas descartou, em um primeiro momento, a participação de integrantes do primeiro escalão e do prefeito no esquema.

O Executivo do município afirmou, em nota, ao “G1” que cumpriu, em “todos os processos de aquisição de equipamentos de combate à Covid-19”, os procedimentos previstos na lei de licitações e também constituiu um comitê de fiscalização para monitoramento de todas as transações.