Sabesp fica mais perto de obter financiamento de R$ 300 milhões

Programa de Apoio ao Plano de Investimentos Sabesp recebeu parecer favorável em comissão do Senado nesta semana

Neste período, pode haver intermitência no abastecimento de água dos bairros Aparecida, Embaré, Estuário, Ponta da Praia, Macuco

Desde o início da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), o volume da discussão sobre privatizar ou não a maior companhia de abastecimento de água e tratamento de esgoto da América Latina aumentou | Reprodução/Facebook/Sabesp

Em reunião na Comissão de Assunto Econômicos nesta terça-feira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) recebeu a primeira autorização do Senado Federal para tomar um empréstimo de até R$ 300 milhões. A medida ocorreu por meio de parecer favorável enviado pela Presidência da República ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 14 de dezembro.

O relator do projeto foi o senador paulista Giordano (MDB-SP), e em dezembro mesmo já havia obtido a autorização da Comissão de Financiamentos Externos (Cofiex), e do então Ministério da Economia.

A mensagem solicita permissão para que a Sabesp obtenha crédito externo junto ao New Development Bank (NDB), antigo Banco do BRICS, “nos termos do artigo 52, incisos V, VII e VIII da Constituição Federal. O objetivo é financiar parte do Programa de Apoio ao Plano de Investimentos da SABESP, o Papis, e promover a ampliação dos serviços prestados pela Companhia, bem como assegurar que o acesso seja feito com sustentabilidade e universalidade”.

Para Giordano, o tempo de atuação da companhia, de quase 50 anos, bem como o número de municípios para os quais ela fornece água e cuida da coleta do esgoto no estado de São Paulo, 375, foi sua motivação para o parecer favorável.

“É fundamental para que a companhia possa expandir o sistema de abastecimento e o serviço de tratamento de esgoto para atender à crescente demanda do serviço, proteger os resíduos hídricos, os recursos hídricos, e principalmente, garantir a universalização dos serviços”, explicou Giordano durante a defesa de seu parecer na audiência.

A expectativa do relator é de que a apreciação no Plenário ocorra o mais breve possível, já que diz saber das necessidades de constantes manutenções e da ampliação projetada para garantir o acesso à água, e o tratamento de esgoto, de acordo com a agenda mundial. “E que seja aprovado”, finalizou o senador. Com esses recursos, o discurso da privatização pode ficar um pouco mais distante.

Paulistas rejeitam a privatização

Desde o início da gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), o volume da discussão sobre privatizar ou não a maior companhia de abastecimento de água e tratamento de esgoto da América Latina aumentou. Contudo, pesquisa recente do Instituto Datafolha, no mês de abril apurou que, entre os moradores de São Paulo, a maioria, 53%, não é favorável à privatização, contra 40% que são favoráveis.

A pesquisa, que teve margem de erro de 2 pontos percentuais, também detectou que 6% não sabem se a privatização é boa, ou ruim para São Paulo, e 1% se diz indiferente aos planos do atual governador. Foram ouvidos 1.086 cidadãos de 65 municípios com idade igual ou superior a 16 anos, realizados quatro recortes, de gênero, de idade, de escolaridade, e de renda, e em nenhum deles, houve maioria a respeito da medida, havendo empate entre 35 e 44 anos, onde eram contra, e a favor, exatos 48%.

Quando o recorte foi de ocupação principal, a maioria dos empresários, 54%, é a favor da privatização. Entre estudantes, funcionários públicos e desempregados, a maioria é contrária, 65%, 59% e 54% respectivamente. Os que votaram em Fernando Haddad (PT), também tem maioria na rejeição, 65%, e entre os que votaram em Tarcísio, 49% é a favor da privatização, mostrando uma média um ponto percentual elevada.

A Sabesp emite relatórios anuais de sustentabilidade. Há lideranças que temem que, com a privatização, fique mais difícil a fiscalização sobre o cumprimento dos requisitos de sustentabilidade.