Caminhoneiros descartam greve após assembleia, mas mantêm estado de alerta

Reunião em Santos avaliou a alta do diesel e fretes; o governo reagiu com MP que endurece fiscalização e prevê multas de até R$ 10 milhões

Greve de caminhoneiros em 2018 gerou um caos logístico em direção ao Porto de Santos

Greve de caminhoneiros em 2018 gerou um caos logístico em direção ao Porto de Santos | Divulgação

Lideranças de caminhoneiros decidiram, em assembleia realizada na tarde desta quinta-feira (19), no Sindicato dos Caminhoneiros da Baixada Santista (Sindicam), em Santos, não deflagrar paralisação. A decisão foi tomada após reunião com representantes de diversas associações, que avaliaram o cenário da categoria diante da alta do diesel e da defasagem nos valores dos fretes.

Apesar da insatisfação, entidades como a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o próprio Sindicam optaram por manter o diálogo com autoridades e acompanhar a evolução dos preços dos combustíveis antes de qualquer medida mais drástica.

A possibilidade de greve vinha sendo discutida nas últimas semanas e chegou a preocupar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente pelo histórico recente de mobilizações que afetaram o abastecimento no país, em um contexto político sensível.

Segundo lideranças do setor, o aumento do diesel segue como principal ponto de tensão, reduzindo a rentabilidade dos caminhoneiros. O combustível já havia sido apontado como um dos principais gatilhos da crise enfrentada pela categoria.

Mesmo sem paralisação imediata, os representantes afirmam que a categoria permanece em estado de alerta, o que indica possibilidade de nova assembleia e eventual greve caso as reivindicações não avancem. Uma reunião com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, está prevista para a próxima semana, em Brasília.

Governo endurece regras do frete

Em meio à pressão e à ameaça de paralisação, o governo federal publicou nesta quinta-feira a Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera regras do transporte rodoviário de cargas e amplia a fiscalização do piso mínimo do frete.

A nova norma modifica a Lei nº 13.703/2018 e passa a exigir o Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) em todas as operações, com detalhamento dos valores pagos e do piso aplicável. Com isso, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá intensificar o controle e até impedir operações realizadas abaixo do valor mínimo estabelecido.

A medida entra em vigor imediatamente, mas precisa ser analisada pelo Congresso Nacional em até 120 dias para não perder validade.

Além disso, o texto prevê punições mais severas para empresas que descumprirem as regras, com multas que variam de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação, além da possibilidade de suspensão do registro no RNTRC e até proibição de contratar novos fretes em casos mais graves ou de reincidência. Transportadores autônomos não serão alvo dessas suspensões.

Segundo o governo, a iniciativa busca ampliar a proteção aos caminhoneiros, garantir maior transparência nas operações e combater práticas abusivas no setor.

O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que quem desrespeitar a tabela de frete será responsabilizado. “Quem insistir em desrespeitar a tabela passará a ser efetivamente responsabilizado, com medidas que interromperão a irregularidade e desestimularão a reincidência”, disse.

A possibilidade de paralisação também levou o governo a intensificar articulações com estados para tentar reduzir o impacto do preço do diesel, incluindo discussões sobre alíquotas de ICMS, principal imposto que incide sobre combustíveis.