Hoje (29), no Bourbon Santos Convention Hotel, o Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, promoveu a 19ª edição das Jornadas Regionais. Durante a programação, voltada para mantenedores, gestores e educadores, o Semesp apresentou uma análise de dados mercadológicos e estatísticos da educação superior das regiões administrativas de Santos e Registro (arquivo completo no anexo), além de dados do setor no Brasil e no estado de São Paulo, das redes públicas e privadas.
Na abertura do evento, Lúcia Teixeira, presidente do Semesp, chamou a atenção para os indicadores da Baixada Santista que estão acima do restante do estado de São Paulo e do país, com uma menor retração das matrículas no presencial e aumento expressivo no ensino a distância. Além disso, a região apresentou crescimento de cursos voltados à vocação e à realidade regional, relacionados ao Porto de Santos, cursos que não aparecem como mais procurados no restante do país. “Esses indicadores mostram a tradição e o esforço das instituições aqui sediadas nesse grande polo universitário”, afirmou a presidente. Sobre a evasão, ela reforçou que Semesp tem apresentado propostas ao MEC e órgãos federais para conter a evasão nos cursos superiores do país, que acontece tanto nas instituições particulares como nas públicas.
De acordo com os dados apresentados durante a 19ª Jornadas Regionais do Semesp, houve queda de matrículas na região da Baixada Santista de 10,7% em cursos presenciais devido, principalmente, à pandemia em 2021. Essa queda, porém, foi menor que no estado de São Paulo, que registrou queda de 11,7%. O setor de ensino superior privado da região da Baixada Santista representa 83% das matrículas na região em cursos presenciais.
Na modalidade EAD houve crescimento de 30,1% das matrículas no segundo ano da pandemia. Esse aumento foi bem acima do registrado no estado de São Paulo, que foi de 24,9%, e no Brasil, que foi de 19,7%. Em cursos EAD o setor privado é responsável por 93% das matrículas.
Em sondagem com IES privadas no estado de São Paulo, o início do ano de 2023 dá sinais de recuperação do setor privado. No ensino presencial houve um crescimento entre 10% e 20% de alunos ingressantes, impulsionado pelas carreiras na área da Saúde, sobretudo Psicologia, curso de Direito, que continua sendo de maior procura, e por cursos na área de TI.
No ensino a distância houve manutenção do ritmo de crescimento dos últimos anos, na faixa de 20%, impulsionado pelas Licenciaturas, sobretudo Pedagogia, curso mais procurado, e pelos cursos da área de Gestão, liderados por Administração. Os cursos da área da Saúde também cresceram significativamente no EAD.
O curso presencial mais procurado na região da Baixada Santista continua sendo Direito, assim como no Brasil e no estado de São Paulo. Porém, chama a atenção que os cursos da área da Saúde estão ainda mais fortes na região, como Enfermagem e Medicina, sendo segundo e terceiro mais procurados, respectivamente.
O curso de Engenharia Civil ainda apresenta força na região, sendo o nono mais procurado, enquanto no estado de São Paulo e no Brasil é apenas o 13º. A vocação da região por conta do porto de Santos está refletida na grande procura pelos cursos de Comércio Exterior (12º) e Logística (16°). Ambos os cursos nem aparecem na lista dos mais procurados no estado de São Paulo e no Brasil.
No EAD o perfil da procura de cursos é semelhante ao do estado de São Paulo e do Brasil, com Pedagogia e Administração liderando a procura, sendo primeiro e segundo, respectivamente.
Os cursos tecnólogos têm grande procura no EAD. Os cursos de Logística e de Comércio Exterior também aparecem com destaque no EAD sendo quinto e décimo, respectivamente.
Evasão e desistência
A evasão no ensino superior é muito alta no Brasil, chegando a uma desistência total de 52,5% em cursos presenciais. Esse é um fenômeno mundial, agravado no Brasil pela desigualdade social e escassez de programas sociais de acesso.
Considerando os cursos presenciais e EAD, a taxa de desistência em IES privadas da região da Baixada Santista chega a 57,6% dos ingressantes, porém um pouco abaixo do registrado no estado de São Paulo, que é de 59,1%.
Não há dados da taxa de desistência para cursos EAD por região, no entanto, sabe-se que a evasão nessa modalidade é bem maior. No Brasil, enquanto 52,5% dos ingressantes em cursos presenciais desistem, em cursos EAD a desistência sobe para 61,7%.
