Professora introduz pessoas com deficiência ao mercado de trabalho

Marcia deu início, em 2021, a um projeto onde receberia jovens indivíduos com asperger, autismo, esquizofrenia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).

Professora com mais de dez anos de experiência, Marcia Carfer

Professora com mais de dez anos de experiência, Marcia Carfer | Marcelo Ricky

Professora com mais de dez anos de experiência, Marcia Carfer afirma ter muitos sonhos, mais de 500 mil para ser preciso, e um deles é de abrir caminhos e poder criar estradas para que aqueles com mais dificuldades possam percorrê-las no objetivo de entrar no mercado de trabalho e integrar a sociedade sem sofrer preconceitos. Esse desejo ela já está realizando.

Profissional do Centro Paula Souza, Marcia é criadora da Carfer Treinamentos e também do Instituto PertenSER, onde seus trabalhos já renderam indicações a vários prêmios e diversas condecorações em toda a Baixada Santista. O objetivo principal da educadora é dar mais condições a pessoas que hoje enfrentam mais dificuldades que as demais para entrar no mercado de trabalho, especialmente indivíduos transgêneros, egressos e deficientes.

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“Atualmente eu faço praticamente tudo. Começo com a captação, seleção dos meninos, recebo os laudos, elaboramos planos de estudos e especializações para cada um deles de acordo com suas características, suas áreas de atuação e eu também procuro os setores de recursos humanos das empresas para realizarmos uma ponte entre as instituições e os candidatos”, explica.

A ideia de criar um local onde estas pessoas possam se especializar e entrar no mercado de trabalho com mais preparo se deu após anos de sala de aula onde Marcia afirmava que não conseguia encontrar especialmente pessoas com deficiências (PCD).

“Eu já tive alunos com problemas sociais, problemas econômicos, mas era muito raro encontrar em cursos técnicos as pessoas com deficiência”.

Com isso, Marcia, com a ajuda da Associação Comercial de São Vicente, deu início em fevereiro de 2021 a um projeto onde receberia jovens indivíduos com asperger, autismo, esquizofrenia, transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), dislexia, além de, deficientes intelectuais e pessoas com deficiência auditiva de grau leve. Esse público reunido é submetido a um procedimento de análise antes de cada um deles começar a receber aulas onde são trabalhados aspectos como convívio social, cognição e parte emocional.

Todo esse empenho se dá para que, ao final do treinamento, o jovem deixe as aulas de maneira a estar pronto para encarar um ambiente de trabalho e capacitado o suficiente para que o funcionário não precise ser ensinado em seu emprego.

“Eu queria dar um preparatório por causa da pandemia onde eu pudesse dar um reforço a esses jovens que tinham muita dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Na primeira inscrição surgiu um rapaz com asperger, logo na turma número 1, e de repente um foi repassando para o outro e mais outro, e as pessoas foram chegando. Tive até uma aluna com deficiência visual, mas falei para a mãe que não iria conseguir recebê-la sem se ela tivesse apoio porque eu não tinha um monitor e o irmão, que é transexual, a acompanhou nos treinamentos e acabou se formando também conosco”, explica.

O projeto que se iniciou na Associação Comercial de São Vicente rapidamente se expandiu também para Cubatão, onde a profissional atende na Casa da Esperança. Em pouco tempo, Marcia acumulou mais de 50 alunos atendidos e a lista de espera logo se tornou grande. Atualmente, ela possui quatro estudantes formados que já estão no mercado de trabalho.

“É um trabalho que exige muito empenho, tanto que tenho, atualmente, 14 alunos na formação profissional. Às vezes observo que algumas empresas colocam uma certa dificuldade porque acontecer de de vez em quando eu ter um profissional já qualificado, preparado, mas vejo que falta mais empresas que recepcionem estas pessoas”.

Apesar dessa dificuldade, Marcia também já havia antecipado esta possibilidade e incluiu, na sua grade, aulas sobre empreendedorismo e afirma que alguns de seus formandos já dão seus primeiros passos na abertura de suas próprias empresas.

“Hoje o instituto é voltado com o olhar para o transgênero, para o egresso, para o deficiente. O objetivo é trabalhar com quem é vulnerável, que é algo que está na agenda da ONU 2030, e para ajudar estas pessoas e as inserir no mercado de trabalho. Nem sempre isso é possível, mas o curso também trabalha com empreendedorismo”, finaliza.

Atuando no momento em São Vicente e em Cubatão, a profissional afirma que tem o objetivo de expandir suas atividades para Praia Grande e Guarujá nos próximos meses. Devido ao fato de que Marcia não dispõe de uma equipe muito grande de profissionais para as aulas, não é possível abrir múltiplas turmas, mas a professora afirma que interessados nas atividades podem entrar em contato com ela por meio do telefone (13) 9-8184-3656 ou dos perfis do Instagram, que podem ser encontrados em @carfertreinamentos e @institutopertenser.carfer. Além disso, a profissional também busca parcerias com empresas privadas para poder seguir realizando as atividades e o canal de comunicação é o mesmo.