Uma parceria entre a Secretaria de Educação de São Vicente (Seduc-SV) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp) contribuiu para a conscientização ambiental entre professores e alunos da rede municipal, impedindo que um poluente aparentemente inofensivo chegue aos rios e mares: o glitter.
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A decisão de retirar o produto do kit material fornecido aos estudantes das unidades educacionais de São Vicente foi motivada pelo projeto científico que nasceu na Unesp e mostrou o impacto negativo desse microplástico sobre a vida marinha.
Coordenada pela professora universitária Alessandra Augusto, a pesquisa realizada no laboratório de aquicultura sustentável do campus vicentino, no Parque Bitaru, apontou alterações preocupantes em moluscos e crustáceos. Caranguejos e camarões expostos ao glitter tiveram prejudicados os sistemas digestivo, reprodutor, endócrino e, principalmente, respiratório. “Acredito que São Vicente seja uma das primeiras cidades a tirar o glitter da lista de material escolar no Brasil”, comentou a docente.
Além da equipe científica na Unesp, o estudo contou com a participação de professores da Educação Básica, que assistiram as aulas, acompanharam de perto toda a pesquisa e escreveram projetos a serem aplicados nas escolas onde atuam. “O curso com professores de Ciências não se limitou à rede de São Vicente, estendendo-se às escolas das outras oito cidades da Baixada Santista”, detalha a assessora pedagógica da Seduc, Vandilma Galindo.
Ao levarem o tema para as unidades educacionais, alunos mostraram-se comovidos ao descobrirem que o camarão, que serve como alimento para o ser humano, sofre com a ação do glitter.
O resultado da pesquisa realizada pela Unesp pode ser conferido no link
Feito de micropartículas de material em PVC e PET, o glitter tem a dimensão de 0,05 a 0,35 milímetros. Quando descartado no ambiente, principalmente na água, prejudica a fauna marinha, entre peixes e demais seres aquáticos pequenos, que confundem o produto com alimento.
A decisão da Seduc em banir o produto do kit material vai ao encontro de ações de sustentabilidade realizadas na Rede Básica de Ensino, como a Gincana Sustentável, que promove a conscientização dos estudantes acerca da destinação de materiais reutilizáveis, com arrecadação de tampinhas, lacres e lixo eletrônico.
Estudos identificam que um terço de todo o plástico produzido no Brasil tem possibilidade de chegar aos rios e mares do País.
