Motéis investem em reformas, mas frustram expectativas de hóspedes da COP30

Os proprietários removeram a decoração erótica e trocaram camas redondas por quadradas, culpando preços altos por afastar visitantes

Proprietários investiram em reformas para receber turistas durante a COP30

Proprietários investiram em reformas para receber turistas durante a COP30 | Divulgação

A expectativa de transformar motéis em pequenos hotéis para hospedar visitantes da COP 30, em Belém, não se concretizou. Proprietários investiram em reformas que incluíram a retirada de decoração erótica e a troca de camas redondas por quadradas, mas enfrentam baixa ou até mesmo zero procura durante o evento climático da ONU, que ocorre entre 10 a 21 de novembro.

A realidade frustrou os planos de recuperar o investimento, que em alguns casos chegou a R$ 100 mil. Segundo empresários ouvidos pela Folha, a imagem do setor hoteleiro de Belém foi prejudicada pelos preços exorbitantes inicialmente cobrados, afastando visitantes e delegações.

O FIT Motel, por exemplo, teve reformas concluídas desde fevereiro, mas não registrou nenhuma reserva para o período da COP 30. Outros, como o motel Acrópole (agora Pousada Acrópole), investiram mais de R$ 100 mil, mas conseguiram preencher apenas 5 das 30 vagas. Seu proprietário lamenta ter “dado um tiro no pé” ao esperar uma recuperação de investimento imediata.

No caso do motel Só Prazer, localizado na região metropolitana de Belém, somente 11 das 33 vagas reformadas foram ocupadas por hóspedes estrangeiros ligados à conferência climática.

A crise de hospedagem em Belém gerou uma inflação de 19,17% no preço de hotéis e imóveis na Grande Belém, a maior alta do serviço entre as capitais pesquisadas pelo IBGE. Embora os preços tenham recuado mais de 60% na reta final, a imagem negativa já havia impactado o turismo na capital paraense.