O deputado estadual Caio França detalhou, em entrevista, suas prioridades de mandato e comentou sobre projetos que impactam diretamente a Baixada Santista.
Entre avanços na saúde pública e iniciativas legislativas inovadoras, o parlamentar destacou também sua atuação contra a instalação de pedágios na região.
Segundo França, a população está preocupada com a cobrança de pedágios em trechos já duplicados, sem grandes melhorias previstas.
A reportagem do Diário do Litoral também conversou com o deputado Tenente Coimbra. ‘A facilidade de dialogar sobre causas regionais é muito maior’, diz.
Ele alerta que moradores de cidades como Praia Grande, Itanhaém e Peruíbe podem ser obrigados a pagar múltiplas tarifas diariamente, mesmo antes de obras significativas.
Além do tema polêmico, o deputado reafirmou seu compromisso com obras de infraestrutura, como a expansão do VLT e a entrega do Hospital Maternidade de São Vicente, e comentou sobre seus planos de reeleição e perspectivas políticas para 2026.
Confira a entrevista com o deputado estadual na íntegra:
Diário do Litoral: Ao longo dos seus mandatos, o que você destacaria como prioridade de conquistas para a Baixada Santista?
Caio França: Do ponto de vista de entrega regional, eu destacaria as ações para a saúde pública. Foi no nosso mandato que viabilizamos o AME Mais em São Vicente, que conseguimos celebrar o convênio inicial do Hospital dos Estivadores.
Também trouxemos unidades de Poupatempo para São Vicente, o Bom Prato em Santos e em Cubatão. Participamos de praticamente todas essas principais conquistas regionais.
Mas gosto de destacar também uma ação legislativa que envolve não só a Baixada, mas o estado inteiro: a lei que incluiu os produtos à base de canábis no SUS. Ela atende todos os paulistas, independente da região, e foi uma legislação disruptiva, corajosa e inovadora.
DL: Você coloca o projeto da canábis como o principal do seu mandato?
Caio França: Sim, considero a principal lei que conseguimos aprovar. Foi pioneira, porque não havia nenhum outro estado com essa perspectiva. Tivemos coragem de enfrentar um tema pouco falado e que ainda carece de informação.
Quando foi para sanção, o governador vetou alguns pontos, mas criou um grupo de trabalho para regulamentar a lei. Esse grupo é quem define os avanços. Hoje apenas três patologias são contempladas, e nossa luta é para ampliar esse número. A lei já mudou a vida de muitas famílias, mas queremos que mais gente tenha acesso.
DL: Faltando pouco mais de um ano de mandato, o que a população pode esperar de agora em diante?
Caio França: Vamos continuar cobrando obras importantes, como o VLT, que está atrasado e teve aumento significativo no contrato. Precisamos dar agilidade à terceira fase até a área continental de São Vicente.
Também trabalhamos pela ampliação de leitos e vamos entregar o Hospital Maternidade de São Vicente, o que exigirá convênios maiores com o Estado. E, claro, a pauta dos pedágios virou prioridade.
A população está cada vez mais preocupada e nós temos tomado a frente contra a instalação, porque isso vai impactar diretamente a vida de quem mora e circula no litoral.
DL: O que você acha que faltou nesse processo dos pedágios, já que há tantas reclamações sobre falta de transparência?
Caio França: O governo achou que ia passar despercebido, que ninguém iria se movimentar. Mas não interessa se a pessoa é de esquerda ou de direita: se você mexe no bolso, vai gerar protestos.
A verdade é que não existe comunicação capaz de reverter a indignação popular. São 11 pórticos de pedágio em trechos já duplicados e sem grandes melhorias previstas.
Temendo mais gastos, deputado não quer novos pedágios free flow em SP
Moradores de Praia Grande, Itanhaém, Peruíbe podem pagar cinco ou seis pedágios por dia. E o pior: a cobrança começa antes de qualquer obra consistente. No máximo vão colocar uma ambulância, pintar guia e sarjeta, instalar câmeras e dizer “já fizemos melhorias, já pode cobrar”. O trecho entre Itariri e Miracatu, por exemplo, já terá cobrança a partir de novembro.
DL: Em 2026, você será novamente candidato à Assembleia Legislativa?|
Caio França: Sim, estou preparado para disputar a reeleição. Quem está no mandato precisa prestar contas do que fez. Esse é o meu terceiro mandato e já existe uma consolidação do trabalho.
Em momentos como esse, em que surge um problema sério para a região, nosso mandato acaba sendo a principal voz contra, porque temos mais independência e autonomia para criticar o governo. Isso gera confiança. Minha expectativa é mostrar o trabalho e, por consequência, ser reconhecido nas urnas.
DL: Como você avalia o cenário político nacional e estadual diante do governo Lula e do governador Tarcísio?
Caio França: O tarifaço recente mudou o jogo. O Governo Federal tinha dificuldade de comunicação, mesmo com bons números macroeconômicos. Essa medida recolocou o presidente Lula como protagonista e, na minha visão, favorito para a eleição nacional.
Tanto isso é verdade que o próprio governador Tarcísio, que seria em tese o adversário mais consistente para enfrentá-lo, tem medo de disputar uma eleição contra o Lula. Eu sinto isso.
Penso que ele prefere disputar a reeleição em São Paulo para não ter que enfrentar o Lula em nível nacional — e isso não é por acaso. No estado, ele ainda é favorito, mas não absoluto. Isso abre espaço para o campo progressista, com destaque para o Márcio França, que hoje aparece consolidado nas pesquisas.
DL: Vejo você muito presente em São Vicente, Cubatão, Guarujá, além de Santos. Como você divide sua atuação entre essas cidades?
Caio França: Santos é uma prioridade, porque é referência regional. Mas cidades como São Vicente, Cubatão, Guarujá, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe têm estruturas muito mais frágeis, principalmente na saúde.
Nosso mandato busca reduzir essas desigualdades. Além disso, também apoiamos entidades sociais, trabalhamos com temas como adoção e seguimos pautas estaduais como a canábis medicinal.
Tento equilibrar um trabalho regionalizado forte com pautas que ecoam em todo o estado, ampliando o alcance do mandato.
