A frase é do pré-candidato ao governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que esteve ontem cumprindo agenda na região. Professor e advogado, ministro da Educação de 2005 a 2012, nos governos Lula e Dilma Rousseff, e prefeito da cidade de São Paulo de 2013 a 2016, Haddad, entre um compromisso e outro, falou com o Diário e foi enfático: “Vou viabilizar um plano de desenvolvimento da Baixada, com metas e orçamento definidos, com começo, meio e fim, de forma diferenciada porque cada região tem suas particularidades e tendências. O PSDB só lança projetos que não saem do papel”.
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Haddad revela que está fazendo um levantamento das demandas em várias regiões do Estado, por meio da Fundação Perseu Abramo e, até o início do ano que vem, vai discutir as prioridades de cada uma, incluindo a Baixada e Vale do Ribeira.
“Santos, por exemplo, tem que ter um plano diretor alinhado com o Estado e a União. É um trabalho técnico aliado à discussão pública. Tem que sentar e trabalhar e não viver em campanha. Não adianta só falar que vai melhorar a vida dos moradores da Baixada e região. Tem que dizer como fazer isso e cumprir o plano. Um programa que criei no Ministério, o Prouni, concedeu um milhão de bolsas só no Estado de São Paulo”, exemplifica.
O petista vê com ressalvas as praças de pedágio que estão previstas no edital de concessão do Lote Litoral Paulista, do Governo do Estado, na rodovia Padre Manoel da Nóbrega, em Itanhaém e em Pedro de Toledo. “O pedágio é discutível em uma região que tenha mais recursos. A região da Baixada Santista precisa de investimentos e incentivo ao turismo. O Governo do Estado não tem noção de quem não pode pagar. O trecho entre Peruíbe e Pedro de Toledo deveria ser duplicado e não há uma ligação adequada ao litoral. Isso compromete o turismo e a industrialização no Interior”, explica.
Para Fernando Haddad, São Paulo é um verdadeiro país. “É o estado mais industrializado e líder no agronegócio. O Porto tem que ser multifuncional. Temos que ter noção do nosso tamanho e potencial. Pretendo ter uma equipe altamente técnica para governar, praticamente ministerial. A região metropolitana foi feita proforma, não funciona. Estou vendo muita coisa errada que precisa ser desfeita. É preciso ter uma política logística e turística para Baixada que gere emprego e desenvolvimento. Essa história de túnel ou ponte vive em discussão porque não querem fazer”, acredita.
Sobre eleição, Haddad adiantou que as negociações visando uma campanha estão sendo tratadas atualmente com o PSB e PCdoB, legendas que estariam mais abertas com o PT: “Até o PDT poderá vir para a mesa. O PSOL ainda não deu sinais. Mas vamos conversar com todos os partidos. Estamos discutindo uma forma de agregar um plano de governo e acredito que estaremos no segundo turno em São Paulo”.
BRASIL.
Sobre política nacional, Fernando Haddad não acredita que uma terceira via será viabilizada a tempo de ser competitiva. “Eu gostaria, para que Bolsonaro não tivesse chances por conta dos inúmeros crimes que cometeu. Mas a raia para a terceira via é muito estreita e congestionada de nomes muito ruins”, diz.
O petista acredita que a CPI da Covid foi bem feita, revelou muitos crimes cometidos e seus responsáveis deverão ser penalizados. Disse ainda que a verdade prevaleceu em relação ao golpe contra o ex-presidente Lula e que o ex-juiz Sérgio Moro deverá ser julgado por tribunais internacionais: “Ele será julgado em maio do ano que vem. Acho difícil que tentem outra investida depois do que ocorreu para novamente inviabilizar a candidatura do Lula”.
Ainda sobre o ex-presidente, Haddad acredita que, se ele voltar a governar o Brasil, a mudança virá rapidamente. “O Brasil age rápido com estímulos corretos. Lula assumindo, já abre perspectivas internacionais, investimentos retornam, o pobre voltará a ter dinheiro no bolso, as empresas retomarão as contratações”.
Sobre a penetração de Jair Bolsonaro junto ao segmento evangélico, Haddad acredita que Lula já o está superando. “O evangélico tem as necessidades básicas como qualquer outro cidadão e percebe rapidamente o que é melhor para seu país”.
Sobre economia, Haddad acredita que a política de Paulo Guedes é “estúpida” porque é baseada na concentração de renda. Enriquece o empresário e empobrece o País em curto prazo: “O consumo vem caindo e teremos recessão ano que vem. O pobre está sobrevivendo como pode e a classe média está substituindo alimentos mais caros por mais baratos. Se não distribuir renda não tem consumo, que por sua vez não tem crescimento e sem ele não há ajuste fiscal”.
Com relação à Educação, Haddad acredita ser necessário um exame universal para ver como estão as crianças, avaliar os retrocessos e desenvolver um plano de retomada de investimentos. Para ele, o Brasil está perdendo o futuro e enfrenta uma situação crítica também em diversas áreas, como Saúde, Educação e Segurança. “Temos que mudar o jeito de fazer política, que é um ato de doação”, conclui.
