Márcio França diz que vai ficar neutro no 2º turno

O governador do Estado de São Paulo veio agradecer à expressiva votação que teve no domingo

O governador Márcio França (PSB) e candidato à reeleição esteve na Baixada Santista ontem.  Passou por Santos, São Vicente e Praia Grande. De acordo com ele, veio agradecer à expressiva votação que teve no domingo e que o ajudou a garantir vaga na disputa do segundo turno com João Doria (PSDB).  

França, em Santos, foi recebido pelo prefeito Paulo Alexandre Barbosa, que não se acanhou e berrou: “governador”. Na sequência, deu um abraço tão forte que muitos pensaram que se tratava de um cumprimento enviado por Geraldo Alckmin por intermédio de seu fiel amigo.

O Paço Municipal estava repleto de tucanos, ex-tucanos, socialistas, sindicalistas, vereadores e todo o secretariado de Paulo Alexandre Barbosa. 

O governador destacou que o dia era especial e que fez questão de descer a serra para agradecer. Antes de falar, França pediu a presença do prefeito santista.

“Fiz  questão de estar em Santos, na Baixada Santista, em todas as cidades que garantiram a nossa vitória. A ida para o segundo turno se deu muito em função dos votos aqui do Litoral. Agradeço muito às pessoas que nos ajudaram a eleição, dos nossos deputados, os prefeitos, enfim, cada um que confiou na gente que sabe o quanto era importante ter um representante do nosso Litoral, um caiçara representando nessa corrida do segundo turno. Fico muito feliz e agradeço a todos que me conhecem. Aqui onde sou conhecido, a gente teve uma vitória bem grande e algumas cidades ultrapassando os 50% para demonstrar que, ao contrário do adversário, que onde ele é conhecido ele teve 20% dos votos”, alfinetou França.

O candidato lembrou que as alianças para o segundo turno acontecerão naturalmente  e que crê que os eleitores escolhem quem eles têm mais afinidade. França disse ainda que João Doria, seu adversário, terá uma má notícia, pois não poderá contar com a presença do candidato Rodrigo (Tavares, PRTB) nos debates.

“Vou alertar ao Doria que ele vai perguntar para mim e vai ouvir pergunta minha. Ele já sabe. Eu soube que está mudando o marqueteiro, está desesperado lá. Fique calmo, assenta aí. A gente vai poder debater bastante o Estado de São Paulo, o futuro. Cada um vai impor seu jeito de ser. Tenho certeza que as pessoas vão continuar esse julgamento. Se vocês virem a primeira pesquisa, vão ver o resultado disso”.

Nos debates e propaganda eleitoral, João Doria tentou pregar em França o rótulo de um candidato de esquerda ligado ao ex-presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores. Tentava assim, tirar do socialista  votos de pessoas mais conservadoras ou mesmo tucanos. Ele garantiu que não está preocupado com isso.

“Tudo o que o Doria fala, não é levado a sério. Ele mentiu uma, duas, 20, 30, 43 vezes. Fica aquilo se é verdade ou se é mentira. Não é algo verdadeiro, parece ensaiado. Quando é ensaiado fica falso e as pessoas não acreditam. O maior dado dessa eleição foi que na Capital ele teve 25% dos votos e eu, 21%. Aqui, eu tive uma vitória avassaladora, ou seja, onde ele é conhecido as pessoas não votam nele”.  

PSB

O partido de Márcio França se reúne hoje em Brasília para decidir como será o posicionamento no segundo turno das eleições nos outros estados e também na eleição presidencial. O governador disse que os socialistas estão em muitos segundos turnos , mas que a atenção toda está voltada para o pleito em São Paulo.  “O partido tem que ponderar isso tudo para tomar uma decisão”.

Apesar de João Doria ter apoiado publicamente o candidato Jair Bolsonaro na disputa com Fernando Haddad, Márcio França adotou a cautela e prefere manter a neutralidade nessa questão. Mesmo com a curiosidade  das pessoas, o governador  garante que não vai apoiar nenhum dos dois. Porém, ele propõe que seja proposto um diálogo com todos os lados.

“Estamos  com o País bem dividido, o Estado de São Paulo, menos, mas também dividido. A minha neutralidade  tem um peso mais sincero do que o Doria anunciar o apoio para o Bolsonaro, todo mundo sabendo que há 20 dias ele disse que não aceitava o apoio dele. Mesmo quando ele fala, nada é sincero. Prefiro ser sincero. No nosso caso aqui em São Paulo temos que focar na eleição estadual”.

Sobre a onda conservadora que produziu campeões de votos no Estado e varreu nomes conhecidos da política, França  afirmou que houve um voto muito forte em candidatos fora da política tradicional. Ele citou que novos nomes deixaram de fora pessoas importantes e corretas. Ressaltou a tendência vinculada ao mundo militar, que as pessoas acham que é algo mais organizado, disciplinado. 

“A sensação que se tem é que a política é uma bagunça. Também teve um voto na simplicidade, no comportamento. Quando você ouve uma pessoa como o Bolsonaro falar, você pode discordar do que ele fala, mas tem uma autenticidade. Percebe que uma pessoa simples. Esse contraste produziu esse fenômeno. Não dá para dizer que isso é vitorioso, pois ele tem posições muito fortes, duras e vai ter uma rejeição também. Segundo turno é um turno de rejeição, não de aprovação. As pessoas votam contra alguém, para derrubar alguém. Eu acho que a sofisticação tem muito a ver com o erro que o Doria cometeu de ter dado a palavra, ter falado que ia ficar na Prefeitura de SP. Isso desmoraliza. Diz que não era político e faz isso”, disse.

Interior

Ele destacou a grande votação que obteve no Interior do Estado e garantiu que não ficou surpreso. França garantiu que teve o apoio de muitos prefeitos e de grande parte de setores do PSDB ligados a Geraldo Alckmin, Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso que não queriam o jeito de João Doria e não achavam que ele era o melhor para governar São Paulo.

“Tudo que ele faz parece momentâneo, superficial. Eu sabia que a origem desse voto ia acabar migrando um pedaço. Eu estava disputando ali com o Skaf. Nas últimas  hora, ele tentou um movimento mais brusco e acabou não dando certo. Eu falei com ele ontem (domingo), temos uma amizade familiar. Espero que ele decida pelo o que é mais sincero, mais verdadeiro”.