Sem desconto: nova lei quer garantir falta justificada para quem leva idosos ao médico

Medida quer estender aos cuidadores de idosos e PCDs o mesmo direito de abono que já existe para pais de crianças pequenas; entenda o que muda na lei

Com aprovação da lei, filhos poderão levar idosos ao médico sem descontos no holerite

Com aprovação da lei, filhos poderão levar idosos ao médico sem descontos no holerite | Imagem gerada por IA

A Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que pode ampliar os direitos trabalhistas de quem precisa acompanhar familiares em atendimentos médicos.

O Projeto de Lei 541/2026 propõe alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para permitir que trabalhadores se ausentem do serviço, sem desconto salarial, para acompanhar idosos ou pessoas com deficiência (PCDs) em consultas, exames e demais procedimentos de saúde.

A proposta surge em meio ao debate sobre a necessidade de atualização da legislação trabalhista diante do envelhecimento da população brasileira e do aumento da demanda por cuidados familiares informais, exercidos muitas vezes por filhos e netos em idade economicamente ativa.

Pelo texto, o direito ao abono será condicionado à apresentação de atestado médico ou declaração de comparecimento emitida pela unidade de saúde, documento que deverá comprovar o acompanhamento realizado durante o expediente de trabalho.

Leis estão sendo criadas para proteger não só o bolso dos filhos, mas dos pais. É o caso da Lei do Superendividamento, que tem o objetivo de evitar que consumidores vulneráveis, como as pessoas de terceira idade, passem algum tipo de necessidade para quitar suas pendências, como conta de luz e água.

Atualmente, a CLT já autoriza faltas justificadas em algumas situações específicas ligadas à saúde familiarAtualmente, a CLT já autoriza faltas justificadas em algumas situações específicas ligadas à saúde familiar (Pexels)

Quem poderá ser acompanhado

A proposta prevê o benefício para trabalhadores que acompanhem: ascendentes com mais de 60 anos, como pais e avós; pessoas com deficiência de qualquer idade, desde que seja comprovada a necessidade de auxílio para deslocamento ou atendimento médico.

Se aprovada, a medida impedirá que as empresas descontem essas ausências do salário, do banco de horas ou utilizem o período para compensações obrigatórias.

Atualmente, a CLT já autoriza faltas justificadas em algumas situações específicas ligadas à saúde familiar, como acompanhamento de esposa ou companheira gestante em consultas e exames, além de acompanhamento de filho de até seis anos em atendimento médico.

No entanto, a legislação ainda não contempla expressamente o acompanhamento de pais idosos ou parentes com deficiência, lacuna que o projeto pretende suprir.

Outra lei de proteção dos idosos trata sobre o abandono. Agora, filhos que não cuidam e nem dão assistência aos pais idosos podem ter pena de até 14 anos de prisão no Brasil.

Projeto ainda está em fase inicial de tramitação e passará pelas comissões temáticas da Câmara (Pexels)

Autora fala em justiça social

Autora da proposta, a deputada federal Lenir de Assis (PT-PR) afirma que o objetivo é adequar a legislação à realidade de milhões de brasileiros que acumulam jornada profissional com responsabilidades de cuidado familiar.

Segundo a parlamentar, “o cuidado com a família não pode ser punido com perda de renda”, razão pela qual classifica a medida como uma política de justiça social e proteção à dignidade do trabalhador cuidador.

O projeto ainda está em fase inicial de tramitação e passará pelas comissões temáticas da Câmara antes de eventual votação em plenário. Para entrar em vigor, a proposta ainda precisará ser aprovada pela Câmara, pelo Senado e sancionada pela Presidência da República.

Caso avance, a mudança representará uma ampliação formal das hipóteses de falta justificada na legislação trabalhista brasileira.