A 9ª Conferência Livre de Povos e Terreiros de Guarujá, que teve como tema principal a “Violência Contra os Povos de Terreiro” terminou na noite da última quinta-feira com três propostas básicas, a serem apresentadas às autoridades municipais nos próximos dias: políticas públicas sociais que garantam a liberdade sexual de cidadãos e cidadãs. “Vamos providenciar uma carta de intenções solicitando respeito para a questão de gênero”, informa o organizador do evento, o pai de santo Maurício Leal (Babalaxé Ala Odé).
Segundo Leal, outro ponto importante do encontro foi que o Município permitisse a capelania, que é a assistência e a execução de atividades religiosas em locais como hospitais, escolas, orfanatos, como é permitido para outras religiões. Basicamente assistência espiritual, desenvolvido através de mensagens, aulas, aconselhamentos, visitações e acompanhamento diante de situações especiais.
Por último, “o início de uma campanha regional contra a violência e a discriminação sofrida por adeptos à religiões de matrizes africanas”, revela Pai Maurício Leal. O evento foi organizado pelo Ilê Axé Ijexá Omolu Jagun, em parceria com a Associação de Terreiros Rainha do Mar – Guarujá e Região. A ação contou com apoio da Prefeitura.
Antes do encontro, Pai Maurício Leal havia adiantado que o resultado de todas as edições refletiram em mudanças importantes em Guarujá e, a mais recene, serve como alicerce da vontade dos povos de terreiro em várias áreas, como educação, meio ambiente, igualdade racial e muitas outras”, pontuou.
Durante o evento, houve homenagem a munícipes que representam a resistência na luta pelos direitos civis da cultura afro-brasileira. Foram 10 pessoas contempladas com o Prêmio Resistência.
COMUNIDADE
Somente Guarujá possui 6.500 religiosos e 400 terreiros, adeptos à religião de matriz africana. Em janeiro deste ano, o Diário observou que existe já espaço destinado à estátua, na Avenida Miguel Estéfano – orla da Enseada. A Prefeitura deverá instala-la em breve.
A estátua será negra e não branca – a religião é de origem africana – e custou cerca de R$ 45 mil, oriundos de uma emenda impositiva do vereador José Nilton Lima de Oliveira, o Doidão, que morreu em um trágico no início deste ano. Ele estava guardada em um dos equipamentos públicos municipais.
A imagem foi confeccionada pelo artesão Luís Garcia. De 4,30 metros de altura; 1,30 de largura; 1,30 de comprimento e pesando entre 250 a 300 quilos, tem que ter uma base de quatro furos, sendo cada um nos ângulos de 90º graus.
A base para sustentar a estátua precisa seguir rigorosamente o gabarito. Caso contrário, os ferros que fazem parte da imagem não a fixarão, deixando o monumento solto.
Ela será posicionada de costas voltadas para a areia da praia e a face para a Avenida, como se estivesse saindo do mar, sob uma base de dois metros de altura; 1,6 metro de comprimento por 1,6 metro de largura.
