TJ-SP barra licitação de R$ 4 milhões da Câmara de Santos para carros de vereadores

Tribunal mantém liminar que suspende pregão para aluguel de até 21 veículos com motorista; Justiça apontou risco ao erário

Câmara de Santos analisa diversos projetos em benefício da população

Câmara Municipal de Santos informou que ainda não foi oficialmente intimada da decisão do Tribunal de Justiça | Divugação

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu, por unanimidade, manter suspensa a licitação da Câmara Municipal de Santos que previa o aluguel de carros com motorista para uso dos vereadores.

A decisão foi tomada nesta terça-feira (3) pela 3ª Câmara de Direito Público, que negou o agravo de instrumento apresentado pelo Legislativo para derrubar a liminar que impede a realização do pregão.

Com a decisão, continua válida a ordem da juíza Fernanda Menna Pinto Peres, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Santos, que suspendeu o processo licitatório após questionamentos sobre a necessidade e o custo da contratação.

O edital previa a locação de até 21 veículos com motorista, com custo máximo estimado de R$ 4,07 milhões por ano. Havia ainda um segundo pregão eletrônico previsto para a mesma data, destinado à compra de combustíveis, com valor estimado de R$ 466,7 mil anuais.

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Tribunal aponta ausência de urgência para liberar pregão

Ao analisar o recurso apresentado pela Câmara, o desembargador Paulo Cícero Augusto Pereira entendeu que não havia urgência para suspender a liminar que barrou o processo licitatório.

Segundo o magistrado, o valor envolvido no contrato é elevado e, por isso, a retomada do pregão deve aguardar a decisão final da Justiça sobre o caso.

Com a decisão do TJ-SP, o processo volta a tramitar na Justiça de Santos. De acordo com o advogado José Francisco Paccillo, responsável pela ação em nome do motorista autônomo Felipe Suarez Martins, a Câmara agora poderá apresentar contestação à liminar na primeira instância.

Justiça apontou risco ao erário e falta de interesse público

Na decisão que suspendeu a licitação, a juíza Fernanda Peres afirmou que o edital apresentava possíveis irregularidades, como violação aos princípios da economicidade, eficiência e moralidade administrativa.

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A magistrada também destacou a ausência de relevância pública para a contratação e apontou potencial risco ao erário, considerando o valor do contrato previsto no edital.

Câmara afirma que ainda não foi oficialmente intimada

Em nota, a Câmara Municipal de Santos informou que ainda não foi oficialmente intimada da decisão do Tribunal de Justiça e que não teve acesso ao teor completo do julgamento.

O Legislativo afirmou que, após a notificação e análise técnica e jurídica do caso, pretende recorrer da decisão.

Fim dos carros oficiais ocorreu há 35 anos

O debate sobre veículos oficiais para vereadores em Santos remonta a 1991. Há 35 anos, a Câmara decidiu encerrar a utilização de carros oficiais pelos parlamentares.

Na época, 21 veículos Opala Standard, utilizados pelos vereadores, foram leiloados na Praça Mauá, no Centro da cidade.

Agora, a tentativa de retomar o uso de veículos por meio de contrato de locação enfrenta questionamentos judiciais e permanece suspensa até nova decisão da Justiça.