Virada parlamentar quer preservação e combate a degradação

Em busca de uma agenda que vê no cuidado com o meio ambiente a abertura de uma janela de oportunidades para todo o país, deputados se reuniram para tratar de promoção de políticas socioambientais

Para o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, o país precisa liderar também a agenda interna

Para o presidente da Frente Parlamentar Ambientalista, o país precisa liderar também a agenda interna | Gustavo Bezerra

Promoção de mudanças nas políticas socioambientais no Brasil. Esse é o objetivo do evento “Virada Parlamentar Sustentável”, que desde o dia 5 de junho vem promovendo vários debates na Câmara do Deputados, e que se estenderá até o dia 29 de junho, em comemoração ao mês da conscientização da preservação do meio ambiente, e do combate às mudanças climáticas. 

A virada está sendo organizada pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), e contou com a participação de vários parlamentares no lançamento, e ocorreu no Salão Nobre da Câmara na última terça-feira (6). Entre eles, o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), que é coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista.

Convencendo mais parlamentares

“A importância é que nós temos hoje uma série de mudanças adotadas pelo Executivo, que quando chega aqui na Câmara a gente corre riscos de ter retrocessos na agenda ambiental. Na Câmara, a gente tem projetos que representam retrocessos do ponto de vista da agenda ambiental, da agenda socioambiental, mas também temos uma série de projetos que ajudam o governo, que tratam a agenda da sustentabilidade como uma oportunidade para o Brasil”, fez questão de ressaltar o deputado em sua fala à imprensa no local.

O evento, em sua amplitude, tem como objetivo o convencimento de mais e mais parlamentares para uma agenda que não seja somente a de reagir às ameaças que o meio ambiente vem sofrendo, principalmente aqui no Brasil, nos últimos seis anos. O deputado afirmou que, internacionalmente, o Brasil já possui um protagonismo nessa agenda. “Lidera já pelo papel do presidente Lula, pelo papel da ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudanças do Clima), mas precisa liderar também internamente, porque atualmente nós só temos as decisões que vêm do Executivo, e que aqui dentro (Congresso) precisam ecoar”, lembrou, uma vez que essas oportunidades são objeto de busca em todo o mundo.

Outro registro importante foi o do secretário-extraordinário de Controle de Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do ministério de Meio Ambiente e Mudanças do Clima, André Lima. O secretário se ressentiu de que na atual Legislatura, a agenda ambiental tenha menos parlamentares adeptos. Na anterior era cerca de um terço dos deputados. “A gente tem que trabalhar também não só com os deputados, digamos assim, convertidos, à causa ambiental, (…) e por isso é importante a gente marcar presença aqui na Câmara, no Senado, para trazer parlamentares que não sejam necessariamente da agenda socioambiental, porque nós precisamos de voto. O Congresso é a casa do povo e o povo precisa estar aqui presente trazendo as pautas positivas também”, informou André.

Entre as iniciativas positivas, o secretário-extraordinário destacou a PEC 37, conhecida como PEC do Clima, e que já foi aprovada na Câmara dos Deputados. Também estiveram presentes no lançamento da Virada, os deputados federais Zé Silva (PSOL-MG), presidente da Comissão de Legislação Participativa (CLP), e a enfermeira Ana Paula (PDT-CE), e vários outros parlamentares.

Informações do IDS declaram que a Virada Parlamentar Sustentável reúne mais de 30 organizações da sociedade civil com atos, debates, seminários, exposições, audiências e mesas redondas por todo o, recém nomeado, Junho Verde. Assim, acredita-se que o Brasil, de fato, se consolidará como liderança mundial dos temas da sustentabilidade.