Crânio achado em Cubatão é de mulher, aponta laudo pericial

Especialistas explicam como é possível identificar o sexo a partir do osso

Crânio foi encontrado às margens da Rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão

Crânio foi encontrado às margens da Rodovia dos Imigrantes, na altura de Cubatão | Reprodução

O crânio humano descoberto às margens da Rodovia dos Imigrantes, em Cubatão, próximo a uma carta assinada por alguém que se autodenominava “Sr. Caveira”, foi identificado como sendo de uma mulher. A informação foi confirmada por exames periciais, e a investigação segue em andamento para revelar quem era a vítima e o que ocorreu.

O crânio foi encontrado no último dia 2, ao lado de velas, um prato e uma carta assinada, e o caso passou a ser investigado pela polícia desde então.

Segundo a médica legista Caroline Daitx, é possível definir o sexo por meio de características anatômicas específicas do crânio.

“A análise pericial consegue distinguir diferenças entre os sexos observando pontos como o arco supraorbital, que tende a ser menos proeminente em mulheres, e a mandíbula, geralmente mais delicada. A glabela, o formato das órbitas oculares e a projeção da protuberância occipital também são considerados”, explica a especialista.

Apesar disso, Daitx enfatiza que esse tipo de avaliação é baseada em probabilidades. “Para garantir um diagnóstico preciso, o ideal é complementar com testes laboratoriais, como o exame de DNA, que oferece um resultado definitivo e cientificamente confiável em contextos forenses”, afirma.

A médica também detalha os principais empecilhos que a perícia enfrenta em casos como este. 

“A exposição prolongada a fatores ambientais – sol, chuva, variações climáticas e ação de animais – pode deteriorar o crânio. Além disso, a ausência de informações de referência, como exames médicos ou odontológicos anteriores, representa um grande desafio. Fragmentos ósseos danificados ou contaminados dificultam bastante a extração genética, especialmente com o passar do tempo”, ressalta.

Ela ainda explica que, embora a identificação do crânio por DNA seja o método mais comum, há outras abordagens disponíveis. Um exemplo é a perícia odontológica, feita com base na comparação entre os dentes da vítima e prontuários odontológicos. 

“Esse método tem alta taxa de acerto, especialmente quando há procedimentos dentários documentados”, comenta.

Outro recurso que pode ser utilizado, dependendo do caso, é a reconstrução facial forense. 

“Essa técnica permite a criação de uma imagem estimada da fisionomia da pessoa a partir do formato do crânio, sendo útil para reconhecimento por familiares ou pelo público. Também é possível realizar comparações com exames de imagem realizados em vida, como radiografias, e analisar marcas, traumas ou cirurgias que podem indicar identidade”, explica Caroline Daitx.

O caso segue sob investigação das autoridades competentes, enquanto a equipe pericial continua os esforços para determinar a identidade da vítima e elucidar o contexto em que o crânio foi encontrado.