Em 10 meses, Porto de Santos ultrapassa volume anual de apreensões de drogas de 2024

Alfândega registra mais de 6 toneladas até outubro e intensifica operações de fiscalização

No panorama nacional geral de Comércio Exterior, Santos alcançou a 4ª posição

Em 10 meses, Porto de Santos ultrapassa volume anual de apreensões de drogas de 2024 | Renan Lousada/ DL

A Alfândega do Porto de Santos já apreendeu 6.023 quilos de drogas até o mês de outubro de 2025. Ao longo dos 10 meses de 2025, a quantidade foi maior que todo o ano de 2024, quando foram apreendidos 5.998,39 kg.

Os dados foram disponibilizados pela Receita Federal por solicitação do Diário.

A última apreensão aconteceu na na última quarta-feira, quando a Receita apreendeu um carregamento de 482 kg de cocaína no Porto de Santos. A ação integra uma operação que reforça a segurança e a fiscalização nas fronteiras.

A iniciativa reflete a crescente preocupação com o volume de drogas interceptadas na região do maior porto da América Latina.

Epidemia da cocaína

A Cocaína é uma das substâncias mais apreendidas e isso tem despertado preocupação não apenas entre agentes federais, mas também entre especialistas ambientais.

Segundo o Relatório Europeu sobre Drogas 2025, a cocaína é a substância com maior crescimento nas apreensões em todo o mundo. Em 2023, a União Europeia registrou, pelo sétimo ano consecutivo, o recorde histórico de apreensões da droga.

Na Espanha, o volume interceptado chegou a 13 toneladas, o maior já registrado no país.

A cocaína é transportada principalmente em duas formas: em pó (forma salina) e como crack (base livre para fumo). Apesar de diferentes rotas, o transporte marítimo continua sendo o principal meio de envio internacional.

As principais rotas comerciais ligam Colômbia, Brasil e Equador, com o Porto de Santos atuando como um dos pontos estratégicos dessa rota para a Europa.

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O perigo para a Baía de Santos

Desde 2017, pesquisadores vêm identificando o acúmulo de cocaína e outras substâncias na Baía de Santos. As análises indicam que a droga passou a ser considerada um contaminante emergente preocupante para o ecossistema marinho.

De acordo com o pesquisador Seabra, estudos geoquímicos com sedimentos estuarinos revelam que o acúmulo começou na década de 1930, mas as concentrações aumentaram significativamente nas últimas décadas.

Entre as causas apontadas estão o fato de a região ser uma das principais rotas do tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa e o crescimento do consumo local de drogas ilícitas, como a própria cocaína e o crack.