Operação prende em São Paulo acusados por ‘clínica da tortura’ de Itariri

Inquérito policial constatou agressões, falta de alimentação adequada, altas doses de medicamentos e até vítimas jogadas na piscina de noite

Um casal que era responsável por uma clínica clandestina para dependentes químicos onde foram constatadas, em 2018, diversas formas de tortura, cárcere privado e outros crimes, em Itariri, foi preso preventivamente pela Polícia Civil na manhã desta segunda-feira (2) na Zona Leste de São Paulo.

Além do casal, os policiais cumpriram a prisão preventiva de um homem que trabalhou no local e de um quarto acusado, que já se encontrava preso preventivamente acusado de estuprar uma adolescente na clínica, enquanto ela estava dopada.

As prisões ocorreram no âmbito da operação “Internação Involuntária”, deflagrada pela Delegacia de Itariri, com apoio operacional da Delegacia Sede de Peruíbe. Os acusados negam os crimes. Um quinto alvo da operação não foi localizado.

Com base no inquérito policial presidido pelo delegado Arilson Veras Brandão, titular de Itariri, o Ministério Público Estadual (MPE) denunciou o grupo por tortura, associação criminosa, cárcere privado, curanderismo e corrupção de menores.

O inquérito policial constatou agressões, falta de alimentação adequada, altas doses de medicamentos e até vítimas jogadas na piscina no período da noite.

Ao Diário do Litoral, o delegado afirma que a clínica “Céu da Júreia” ainda tinha um quarto que era mantido escuro e fechado, onde pacientes eram colocados após receberem as altas dosagens de medicamentos.

Laudos periciais confirmaram os crimes na clínica, que funcionou de 19 de maio de 2018 a 30 de agosto daquele ano.

As penas, somadas, podem ultrapassar 50 anos de prisão (para cada acusado)”, afirma o delegado.

Ele ressaltou a importância da manutenção da prisão preventiva dos acusados para a instrução do processo, para os reconhecimentos e produção de provas. O delegado considera que por serem penas altas havia risco de eventual sumiço dos acusados.

Descoberta

A clínica irregular, na Rua Elza Soares, foi descoberta na tarde de 30 de agosto após a Polícia Militar ser acionada para atender uma ocorrência de conflito. Internos logo revelaram que sofriam maus-tratos e tortura.

A maior parte dos internos era formada por dependentes químicos, mas havia também idosos para “casa de repouso” e pessoas com deficiência.

O delegado frisa a importância das famílias checarem as condições de atendimento de uma clínica antes de decidirem pela internação. Uma orientação básica é verificar o CNPJ, para ver se o local é regular.