A tragédia da escola Thomazia Montoro na Vila Sônia, zona oeste da capital, que deixou uma professora morta e três estudantes feridos, nos fez lembrar outro caso semelhante, que aconteceu em 2019 na escola Estadual Raul Brasil em Suzano. Na época duas funcionárias da escola e cinco estudantes foram mortos. O que tem provocado nesses jovens tamanha violência? Insatisfação pessoal? Problemas familiares? Inversão de valores ou a sensação de impunidade?
É preciso imediatamente se tomar uma posição. Descobrir de onde vem o problema para poder estancar o sangramento. Estamos sendo testemunhas do avanço da violência, que anda acelerada na garupa dos direitos humanos aliados ao ECA (estatuto da criança e do adolescente). Ainda a quem diga que não! Mas em contrapartida, a pessoas, até mesmo especialistas que dizem que esses fatos fatídicos são tragédias anunciadas. Se são, porque não houve a prevenção?!
A verdade é uma só. Pais estão cada vez mais amigos dos filhos, deixando para trás seus papéis de pais. Celulares tem sido babás eletrônicas de casais modernos que passam o dia no trabalho e quando chegam em casa querem apenas relaxar, evitar problemas. Afinal, educar os filhos dá trabalho. Enquanto isso, nas áreas periféricas, professores são ameaçados, inclusive por pais que se acham acima da lei, sempre cobertos de seus direitos e desnudos de seus deveres. O número de professores da rede pública de ensino afastados por síndrome do pânico, ansiedade e depressão cresce a cada ano, infelizmente. Foi-se o tempo em que os alunos tinham mais medo dos professores do que dos próprios pais. Foi-se o tempo do respeito em sala de aula. Foi-se o tempo do civismo e do progresso. O que vemos hoje é um retrocesso do ser humano que parece estar doente, ou pelo menos a sociedade em que vive parece estar doentia.
* Thaís Margarido, Jornalista e Gestora pública, Instagram.com/thaismargaridooficial/
