Faltam oportunidades para as mulheres da Vila Nova

O diagnóstico vem do trabalho diário da assistente social Roberta Paulino, que há 11 anos presta serviços na unidade II da Casa da Vó Benedita

O bairro Vila Nova, no centro de Santos, ainda sofre com a falta de serviços específicos que atendam as mulheres que moram por lá, mais ainda àquelas que lidam com a violência doméstica. O diagnóstico vem do trabalho diário da assistente social Roberta Paulino, que há 11 anos presta serviços na unidade II da Casa da Vó Benedita, próxima ao Mercado ­Municipal. 

“As mulheres deixam os filhos nas creches e, fora o serviço do lar, elas não têm o que fazer. Muitas delas não têm profissão e nem dinheiro para fazer um curso profissionalizante, e aí se tornam cada vez mais dependentes dos parceiros. A situação piora se esse homem for violento”, explica ­Roberta. 

Sem independência financeira fica mais difícil se libertar da vida que levam, pior ainda se ao lado de um parceiro agressivo. Já os filhos desses casais, segundo ela, nem sempre sofrem a mesma violência física que a mãe, mas passam pela psicológica ao verem brigas constantes e agressões. “Isso causa traumas e influencia demais a vida de uma criança”, analisa. 

Durante os atendimentos, Roberta conta que é cada dia maior a quantidade de mulheres que dizem se sentir depressivas. Além disso, muitas têm problemas de autoestima, a ponto de uma delas contar para a profissional que, às vezes, briga com o marido de propósito só para conseguir atenção.

Os casos mais graves são encaminhados para o CREAS (Centro de Referência de Assistência Social) ou (CRAS) Centros de Referência de Assistência Social, mas segundo ela, nem sempre o atendimento oferecido tem a profundidade necessária para, de fato, conseguir mudar a vida dessas ­mulheres. 

“Falta um acompanhamento semanal, sessões com psicólogos, terapeutas, para fechar um diagnóstico de como as situações que elas vivem afetam a maneira como enxergam a si mesmas. Só a partir deste novo olhar é que as pessoas buscam caminhos melhores para si mesmas”. 

Renovação dos cursos

Paulino explica que a prefeitura oferece cursos específicos para o público feminino, mas que é necessário rever se, de fato, eles vão de encontro aos interesses das mulheres de hoje, e se preenchem a demanda das vagas de emprego que surgem na região. 

“Por exemplo: panificação e artesanato. São cursos que não atraem mais as mulheres, muito menos as mais jovens. Durante as nossas conversas, muitas manifestam interesse em fazer um curso de auxiliar de enfermagem ou auxiliar administrativo”.

Prefeitura

A prefeitura respondeu que há cursos na área de estética como cabeleireiro, manicure e barbearia, no salão Auto Estima. 

Na Vila Criativa (Mercado) são oferecidas oficinas de: artesanato em feltro, bordado criativo, costura criativa (básica e avançada), costura básica em malharia, customização de objetos, Marcenaria criativa, reciclagem de móveis e objetos e pintura em tecido.

Já na unidade da Vila Nova estão os cursos profissionalizantes de Panificação, Auxiliar de Escritório (oferecido pelo Senac), o Cine Escola Querô (oferecido pelo Instituto Querô) e o de DJ e Sonorização de Eventos.

“Todos os serviços oferecidos pelo município são realizados de forma contínua e dependendo das fragilidades e demandas detectadas no Bairro, novas políticas públicas serão estudadas, trabalhadas colocadas em prática”, explicou em relação a novos cursos. 

Quanto às ações em casos de violência, informou que os centros já oferecem acompanhamento contínuo com psicólogos e assistentes sociais. 

Há também a Casa das Anas, que é um espaço voltado para mulheres em vulnerabilidade social (com ou sem filhos) e tem capacidade para 24 pessoas. As famílias podem ficar por até um ano nesta casa que faz parte da rede de acolhimentos da cidade. As Equipes de Abordagem (da Secretaria de Desenvovimento Social) e o Centro Pop (rua Conselheiro Saraiva, nº 13 – Vila Nova) são portas de entrada para esse serviço.
     
O município também disponbiliza a Casa Abrigo, que está preparada para acolher mãe e filhos que estejam em risco iminente de morte, oferecendo acompanhamento social, de saúde, além de todo o atendimento necessário. O endereço é sigiloso por uma questão de segurança. O local tem capacidade para 4 ­famílias.