Paraíso secreto em meio à natureza custa R$ 0,50 e revela um dos lugares mais encantadores de Santos

Sem carros, violência ou pressa, vilarejo mantém tradições, natureza e um estilo de vida que resiste ao tempo

Chegar até esse refúgio é mais simples do que parece. A travessia de barco custa apenas R$ 0,50, tornando o passeio acessível.

Chegar até esse refúgio é mais simples do que parece. A travessia de barco custa apenas R$ 0,50, tornando o passeio acessível. | Isabella Fernandes/DL

Uma viagem ao passado: orelhões na rua, crianças brincando com arminhas de água aproveitando o calor, casas com o portão aberto, árvores frutíferas espalhadas pelo caminho, tudo isso em Santos. Nos tempos de hoje, parece impossível, mas essa realidade existe na Ilha Diana, a última comunidade caiçara da cidade.

Localizada em Santos, a comunidade é considerada a última vila caiçara da cidade, preservando hábitos, costumes e uma relação íntima com a natureza.

Chegar até esse refúgio é mais simples do que parece. A travessia de barco custa apenas R$ 0,50, tornando o passeio acessível. O trajeto, com duração média de 30 minutos, parte da região central e já antecipa a experiência tranquila que aguarda os visitantes.

Chegar até esse refúgio é mais simples do que parece. 

Origem ligada à pesca e histórias que atravessam gerações

O nome da ilha vem do Rio Diana, que corta a região. Antes, o local era conhecido como Ilha dos Pescadores, refletindo diretamente o modo de vida dos primeiros moradores.

Há também uma lenda que envolve uma indígena chamada Ana, que teria vivido na área. Historicamente, os primeiros habitantes não ocupavam exatamente o ponto atual da vila. A mudança aconteceu quando perceberam que a localização era mais estratégica para a pesca.

A ocupação começou no início do século XX, com a formação da comunidade no final da década de 1930. Hoje, cerca de 150 moradores vivem no local, mantendo tradições e um cotidiano marcado pela simplicidade e harmonia com o meio ambiente.

O nome da ilha vem do Rio Diana, que corta a região. Isabella Fernandes/DL

Um vilarejo onde o tempo desacelera

Sem carros e praticamente sem registros de violência, a Ilha Diana oferece um estilo de vida raro nos dias atuais. O silêncio, o contato com a natureza e o ritmo desacelerado tornam o destino ideal para quem busca tranquilidade.

Entre os pontos de visitação está a Capela do Bom Jesus, construída em 2018 durante um mutirão que reuniu voluntários da ONG Sonhar Acordado, moradores e a prefeitura.

Além disso, caminhar pelas ruas já é uma atração por si só. A região abriga uma rica biodiversidade, com presença de aves, caranguejos e espécies típicas do manguezal.

A culinária é outro ponto forte da ilha. Isabella Fernandes/DL

Turismo de experiência fortalece a comunidade

Para quem deseja explorar ainda mais, é possível fazer passeios de barco pelo mangue, conduzidos pelos próprios moradores. A atividade promove uma troca de conhecimentos sobre o ecossistema local e ajuda a gerar renda para a comunidade.

Mais do que turismo, a experiência é um mergulho na cultura caiçara e na relação profunda entre o homem, o rio e a pesca artesanal.

Artesanato local transforma tradição em renda

A produção artesanal também é destaque. Itens como bottons, ímãs de geladeira, broches e bijuterias são confeccionados com cascas de mariscos, em um trabalho que surgiu de forma espontânea e hoje complementa a renda dos moradores.

Sabores caiçaras são atração à parte

A culinária é outro ponto forte da ilha. Os pratos são preparados com ingredientes frescos, pescados diretamente do rio e do manguezal.

Entre as opções mais tradicionais estão o filé de peixe, o camarão branco e o marisco lambe-lambe, conhecido como bico-de-ouro.

As refeições custam a partir de R$ 70, variando conforme o restaurante e a demanda.