A Associação Cultural José Martí promove hoje, às 19 horas, o lançamento do livro Discurso sobre o branco: notas sobre o racismo e o “apocalipse” do liberalismo (Alameda, 2023), do professor, mestre e doutor em Educação Leonardo Sacramento. O livro é um ensaio analítico sobre a relação entre capitalismo, liberalismo e racismo. A atividade na sede da Martí, na Rua Sergipe, nº 15, Casa 2, no Gonzaga, em Santos.
Durante o bate-papo com o convidado, a casa estará com o bar aberto, com mojitos, bebidas e petiscos. A livraria Celia Sánchez também estará de portas abertas.
Sacramento conta que o livro nasceu do incômodo diante da forma como o racismo é contemporaneamente pautado, vinculando a sua superação com o empreendedorismo em uma das conjunturas mais adversas aos trabalhadores negros, majoritariamente desempregados, desalentados e precarizados na informalidade.
O autor desconfia da assunção dessa pauta pelo grande capital, como banqueiros, justamente em um momento que mais acumulam capitais. Ele pergunta: “Ora, estaria o acúmulo de capitais desvinculado da racialização e do racismo?”
Segundo o autor, o racismo contemporâneo é produto do capitalismo, uma construção do liberalismo a fim de justificar não somente a exportação de capitais para a África, América Latina e Ásia, mas para difundir uma noção de igualdade assentada na opressão sobre os não livres, os negros e nativos.
“Em outras palavras, o racismo pressupõe uma noção de igualdade que é universalizável a um grupo, os brancos da classe dominante e da classe média tradicional. Nos últimos anos, fundações e meios de comunicação investiram em projetos e ações que chamam de ‘antirracistas’, desvinculando os conceitos de capitalismo, imperialismo e liberalismo um do outro, como se o racismo fosse algo alheio ao modo de produção, e transformando aqueles que lucram com o racismo em
antirracista”.
