Viaturas da Guarda estão sucateadas

Instalações continuam sem a estrutura adequada, afirmam guardas

Cerca de 12 das 21 viaturas da frota de 2016 da Guarda Municipal de Santos (GCM) estão sucateadas e ainda se mantém rodando por conta da ação dos próprios guardas, apesar de serem locadas de uma empresa que cuidaria da manutenção. Ontem, guardas enviaram fotografias de uma das mais danificadas. Para-brisas trincados, sem quebra-sol (que é obrigatório), fiação exposta e corrosão na lataria são apenas alguns problemas.

E a questão não é só visual. Segundo afirma um dos guardas, mecânica e elétrica só funcionam com ‘gambiarras’. As baterias são todas viciadas e não aguentariam nem 30 minutos com as luzes de emergência ligadas sem o motor estar funcionando, consumindo mais combustível e gerando gastos aos cofres públicos.

“Vira e mexe aparece alguma situação de viatura ficar com a bateria descarregada à ponto de ter que fazer uma ligação por bateria auxiliar. Mas teve um caso, no mês passado, que uma das viaturas ficou enguiçada no viaduto sobre o túnel em frente à rodoviária e só saiu guinchada, pois nem com transmissão auxiliar dava partida”, revela um guarda.

Ainda segundo conta, a água dos radiadores tem que ser verificada ao menos uma vez durante o plantão de 12 horas, pois o líquido de arrefecimento é inadequado (água da torneira), comprometendo todo o sistema, gerando pequenos vazamentos. “Não há higienização e dedetização. Baratas surgem no interior das viaturas”, garante.

ESTRUTURA.

Mas o problema não se resume às viaturas. Em 27 de julho deste ano, o Diário mostrou as péssimas condições estruturais das bases da GCM. Ontem, os guardas garantiram que os problemas persistem e que na base atrás do cemitério Paquetá, há salas com o teto cheio de infiltração, aparentemente com o concreto podre. As coordenadorias continuam em instalações improvisadas e muitas das vezes o guarda tira dinheiro do bolso pra mantê-las minimamente utilizáveis.

“Nas bases não temos auxiliares de serviços gerais, sendo assim, o serviço de limpeza fica por conta dos próprios guardas. Elas nem sempre ficam higienizadas da maneira correta. Como são muitos guardas usando o mesmo banheiro, a coisa fica feia. Sabonete e papel toalha não existe em nossas bases”, afirma um dos entrevistados.

PM.

Os guardas lembram que enquanto denunciam falta de estrutura, a Polícia Militar, de responsabilidade do Estado, recebe total atenção do Município, como a entrega da nova base da 1ª Companhia do 6° Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM/I), na Avenida Governador Mário Covas, 3.060, próximo ao Mercado de Peixes e em frente ao Santos Convention Center. A base é mais uma das obras que compõe o projeto Nova Ponta da Praia.

O prédio dispõe de dois pavimentos que acomodam salas de comando, de oficiais e de administração. Também há alojamentos masculinos e femininos, sala de formação, um observatório e espaço para atividades físicas. Todo o local foi construído em uma área de 580m². As edificações foram viabilizadas por um Termo de Responsabilidade de Implantação de Medidas Mitigatórias e Compensatórias (Trimmc) estabelecido após Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV).

“Pelo visto, a Prefeitura só usa sua GCM para gastar com aluguel de viaturas. Não nos dá condições mínimas de segurança, higiene e saúde no posto de serviço”, finaliza o guarda denunciante.

PREFEITURA.

A Guarda informa que a manutenção das viaturas é realizada pela empresa Andrade Barros Logística e Serviços Ltda (ABA). O efetivo é orientado a conduzir os veículos à empresa responsável pelo serviço sempre que ocorrer qualquer tipo de problema. No momento, duas viaturas encontram-se em manutenção.

Quanto às instalações das coordenadorias, a GCM informa que as mesmas encontram-se adequadas para a utilização. Também esclarece que já foi iniciado o processo administrativo para início da reforma no prédio situado no Paquetá.