Você certamente conhece Steve Jobs e Steve Wozniak, mas a Apple teve um terceiro fundador. O nome dele é Ronald G. Wayne. Em uma entrevista bem direta dada à revista americana PCMag, o veterano de 91 anos relembrou a decisão que o tirou do topo da maior empresa de tecnologia do planeta.
Cronologia histórica
- O início de tudo: No dia 1º de abril de 1976, os três assinaram o contrato da Apple. Jobs e Wozniak ficaram com 45% cada. Wayne levou 10%. Ele era mais velho e servia como o “adulto na sala” para equilibrar a impulsividade dos outros dois jovens de 20 anos.
- O pânico do risco: Apenas 12 dias depois, Wayne pulou fora. Jobs e Wozniak eram quebrados e não tinham bens. Wayne tinha casa e patrimônio e temia que as dívidas da nova empresa caíssem todas nas suas costas se o projeto falhasse.
- O valor da saída: Ele abriu mão de seus 10% por meros US$ 800 (e ganhou mais US$ 1.500 um tempo depois para abrir mão de qualquer direito futuro). Hoje, essa mesma fatia valeria centenas de bilhões de dólares.
- A nova versão: Recentemente, Wayne deu uma declaração curiosa dizendo que, na cabeça dele, ainda se considera dono de 10% da Apple porque nunca vendeu de fato sua parte, alegando que o dinheiro que recebeu na época foi apenas uma “cortesia” de saída.
- Sem arrependimentos: Quando as pessoas perguntam com pena se ele se arrepende, a resposta é sempre não. Ele diz que lidar com Steve Jobs era como “segurar um tigre pelo rabo” e que o estresse era tamanho que ele acabaria sendo o homem mais rico do cemitério.
Uma daquelas histórias reais que parecem roteiro de cinema. Se você estivesse no lugar dele em 1976, teria arriscado tudo ou também teria preferido a paz de espírito?
A Apple hoje é uma empresa avaliada em mais de 400 bilhões de dólares – Reprodução/PexelsE ainda falando da adorada marca, eles acabaram de lançar uma linha de MacBook por valores mais acessíveis no Brasil.
*Fonte das informações: Entrevista de Ronald G. Wayne para a PCMag.
Steve Jobs
Steve Jobs não foi apenas um empresário, mas o arquiteto da era digital moderna.
Cofundador da Apple em 1976, ele transformou a computação pessoal, a indústria da música, a telefonia móvel e até o cinema de animação (com a Pixar). Conhecido por seu temperamento difícil e por uma obsessão quase doentia pelo design e pela simplicidade, Jobs acreditava que a tecnologia deveria ser uma extensão intuitiva do ser humano.
Após ser demitido da própria empresa em 1985, ele retornou em 1997 para salvá-la da falência, liderando a criação de produtos icônicos como o iMac, o iPod, o iPhone e o iPad. Mais do que vender aparelhos, Jobs vendia um estilo de vida e a ideia de que “pessoas loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato o fazem”.
Sua morte em 2011 interrompeu uma das carreiras mais brilhantes do Vale do Silício, mas seu legado de inovação continua ditando o ritmo do mercado global até hoje.
Os engenheiros Steve Wozniak e Steve Jobs em uma das primeiras imagens do nascimento da Apple – Reprodução/ReutersLegado de Jobs
O maior legado de Steve Jobs não foram apenas os aparelhos, mas a forma como redefinimos nossa relação com a tecnologia. Ele provou que um computador ou um celular não precisavam ser ferramentas frias e complexas, transformando-os em objetos de desejo, beleza e extrema simplicidade.
Ao colocar a experiência do usuário no centro de tudo, Jobs forçou toda a indústria a evoluir, priorizando o design e a intuição acima de especificações técnicas brutas.
Sua visão foi o motor por trás de revoluções em série: a computação pessoal com o Mac, a música digital com o iPod, e a mobilidade total com o iPhone, que basicamente colocou a internet e o mundo no bolso de bilhões de pessoas.
Jobs deixou uma cultura de perfeccionismo e a lição de que a inovação acontece no cruzamento da tecnologia com as artes liberais. E, aliás, você sabe o motivo da logomarca da empresa ser uma maçã mordida?
