Sete em cada dez alunos do ensino médio utilizam ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa em suas pesquisas escolares. Entre os nomes mais citados estão ChatGPT e Gemini, de acordo com a 15ª edição da pesquisa TIC Educação, divulgada nesta segunda-feira (16). O levantamento é realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR.
De acordo com o relatório, 37% dos estudantes do ensino fundamental e médio afirmaram usar recursos de IA para buscar informações. Nos anos do ensino médio, o índice salta para 70% dos alunos.
A coordenadora do estudo, Daniela Costa, ressaltou que o desafio das escolas agora é integrar a tecnologia às práticas pedagógicas. Segundo o levantamento, apenas 32% dos estudantes disseram ter recebido orientação de professores sobre como utilizar ferramentas de IA de forma adequada.
O estudo foi realizado entre agosto de 2024 e março de 2025, com entrevistas em mais de mil escolas públicas e privadas, além de questionários aplicados a mais de 7 mil alunos de áreas urbanas e rurais em todo o país.
Geração conectada
A pesquisa também mostrou avanço no acesso das escolas à internet. Hoje, 96% das instituições afirmam ter conexão, crescimento expressivo em comparação a 2020, quando apenas 71% das escolas municipais tinham acesso, número que chegou a 94% em 2024.
Apesar disso, as desigualdades persistem: enquanto 67% dos alunos da rede estadual usam internet para realizar atividades escolares, entre os estudantes da rede municipal a taxa cai para 27%.
A chamada Geração Alpha (nascidos entre 2010 e 2025) já cresce hiperconectada, com contato precoce com dispositivos eletrônicos e consumo de conteúdos digitais cada vez mais dinâmicos e personalizados.
Desafios para os professores
A adaptação à cultura digital dessa nova geração também impacta os educadores. O levantamento aponta queda no número de professores que buscaram formação em tecnologias digitais aplicadas ao ensino: de 65% em 2021 para 54% em 2024.
Entre docentes da rede municipal, a redução foi ainda mais acentuada: de 62% em 2021 para apenas 43% no último ano.
O mercado de trabalho
Nas escolas, a Inteligência Artificial (IA) já assume papel de destaque, mas no mercado de trabalho a realidade ainda é diferente. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), mais da metade das empresas do varejo paulistano (58%) ainda não utiliza ferramentas de IA nem possui planos de adotá-las no curto prazo.
Apesar disso, a percepção sobre a tecnologia é positiva: 43% dos empresários acreditam que a IA trará novas oportunidades de crescimento para pequenos e médios negócios. A entidade ressalta que ignorar essa transformação não é mais uma opção, mas também alerta que a adoção apressada e sem planejamento pode trazer riscos.
Com a chegada da Geração Alpha ao mercado de trabalho, a expectativa é de que a IA passe a se integrar de forma cada vez mais natural à rotina profissional.
Alguns países europeus já utilizam a inteligencia artificial nas escolas, como é o caso da Suiça. Confira no vídeo abaixo como funciona uma das instituições que aplica a IA na sala de aula:
