Automotor – Gol: tradicional, só que mais moderno

O veterano hatch Gol é o campeão da marca e se mantém no 'Top Five' do ranking dos carros mais vendidos do Brasil

Por Luiz Humberto Monteiro Pereira, da AutoMotrix

Enquanto os “holofotes” do marketing estão voltados para as novidades dos SUVs, segmento que se tornou o “queridinho” do mercado nacional, um veterano hatch, sem fazer alarde, se consolida entre os cinco carros mais comercializados do Brasil. Este ano, o Gol – que liderou as vendas de automóveis no país durante quase três décadas -, obteve uma média mensal de 5,7 mil emplacamentos. Para a linha 2021, o Gol trouxe mais uma reestilização do Gol G5, apresentado em 2008. E a versão 1.6 MSI com câmbio automático cumpre a função de “topo de gama” do compacto da Volkswagen.

A “novidade” foi a adição de itens de segurança que se tornaram obrigatórios no mercado brasileiro. O hatch passa a dispor de cinto de segurança de três pontos e encosto de cabeça para os cinco ocupantes e a fixação Isofix para cadeirinhas infantis. De resto, o carro é o mesmo desde o modelo 2019, quando a dianteira foi redesenhada e “herdou” o visual do antigo Gol Track, incluindo um capô mais elevado e com vincos mais marcantes, faróis com formato maior e mais anguloso e interligado à nova grade mais ampla. O para-choque conta com auxiliares de neblina em posição elevada. Os comandos dos vidros traseiros são fixados no painel, reduzindo assim o custo de produção. Na versão automática, a assinatura “MSI Automatic” aparece próxima à lanterna direita.

O câmbio automático trabalha em conjunto com o motor 1.6 MSI com quatro cilindros e 16 válvulas. Com duplo comando de válvulas, bloco e cabeçote feitos de alumínio, o hatch atinge 110 cavalos quando abastecido com gasolina e 120 cavalos com etanol, em ambos os casos a 5.750 giros. As trocas sequenciais podem ser feitas na alavanca ou nas aletas atrás do volante. O sistema tem ainda o modo esportivo, que leva as trocas das marchas para rotações mais altas para conferir acelerações mais vigorosas.

A configuração 1.6 MSI automática parte de R$ 65.390 nas cores Branco Cristal ou Preto Ninja – a Vermelho Flash encarece R$ 500 e tonalidades Prata Sirius ou Cinza Platinum (a do modelo testado) acrescentam R$ 1.610 à fatura. O modelo vem de série com alerta de frenagem de emergência, antena no teto, ar-condicionado com filtro de poeira e pólen, banco do motorista com ajuste de altura, o traseiro com encosto rebatível, chave tipo canivete, desembaçador do vidro traseiro, direção hidráulica, faróis com máscara escurecida, limpador do para-brisa com temporizador, brake light, preparação para sistema de som, suporte para celular, tomada 12V no console central, travamento elétrico das portas, vidros dianteiros elétricos e rodas de aço de 15 polegadas.

Por R$ 3.600, o pacote “Urban Completo” adiciona sistema de alarme com comando remoto, sensor de estacionamento traseiro, duas luzes de leitura dianteiras e duas traseiras, alças de segurança no teto, chave tipo “canivete” com comando remoto, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade, retrovisores e maçanetas na cor do veículo, espelhos eletricamente ajustáveis com função tilt-down no lado do passageiro e com luzes indicadoras de direção integradas, faróis de neblina, lanternas escurecidas, pneus 195/55 R15 e rodas de liga leve de 15 polegadas e tampa do porta-malas com abertura elétrica. Com mais R$ 2.370 do pacote de interatividade “Composition Touch”, agrega-se computador de bordo, quatro alto-falantes e dois tweeters, sistema de som “touchscreen” com App-connect e volante com comando do sistema de som e “I-System”.

Em sua configuração mais completa, um Gol 1.6 MSI automático beira os R$ 73 mil – um valor próximo aos R$ 78.990 iniciais do Polo Comfortline, que oferece uma plataforma mais contemporânea, acabamento superior e um moderno motor 200 TSI de 128 cavalos acoplado à caixa automática de 6 velocidades. Algumas previsões indicam que o Gol terá um sucessor, e é possível que surja em formato de SUV. De qualquer forma, um novo compacto atualizado da Volkswagen poderá ser um forte concorrente para o Onix e o HB20, os únicos hatches mais vendidos que o Gol atualmente.

Com o pé direito

O Gol continua o mesmo. Os plásticos rígidos predominam, mas as texturas são agradáveis ao toque e os encaixes são precisos. O volante incorpora comandos para acessar o sistema de áudio, o computador de bordo e a telefonia, além das “borboletas” para mudanças manuais. O painel segue a mesma linha do modelo de 2016. O de 2021 tem cluster com computador de bordo, indicador de marcha e “econômetro”.

Quatro pessoas se acomodam bem. Tentar colocar três no banco traseiro reduz muito o conforto. Há espaços no Gol para garrafas e outras “tranqueiras” nos nichos das portas e porta-trecos do console central. Um suporte no alto permite deixar o celular ao alcance da visão, facilitando a utilização de softwares de navegação. Opcionais como retrovisores elétricos e sensores de estacionamento melhoram a interatividade entre o motorista e o carro.

O motor 1.6, com 120 cavalos e 16,8 kgfm de torque com etanol, apesar de não ser muito moderno, movimenta o Gol com desenvoltura. As trocas de marchas do câmbio automático de 6 velocidades são rápidas e a sintonia com o propulsor proporciona ao compacto um desempenho satisfatório. O carro oferece boas arrancadas e um torque razoável desde as baixas rotações. A boa relação de marchas rentabiliza com eficiência a força do motor e reduz os trancos nas mudanças. 

O acerto de suspensão proporciona boa estabilidade em curvas rápidas, entretanto, transfere para o interior do carro as imperfeições da pista. Com os ajustes que o longo “tempo de praça” permitiu, o compacto tem um comportamento dinamicamente equilibrado, com rolagens de carroceria discretas. A direção tem uma assistência hidráulica eficiente e o bom diâmetro de giro facilita as manobras. Em tempos nos quais a transmissão automática figura entre os itens mais desejados por consumidores de modelos compactos, um Gol sem pedal de embreagem, que outrora seria considerado uma “extravagância”, começa a ser encarado como uma opção racional e necessária no trânsito caótico das grandes cidades.