“A ansiedade não é fraqueza, é um sinal de sobrecarga”, afirma psicóloga

A palavra "ansiedade" foi a mais citada pelos brasileiros para representar o último ano, ganhado cada vez mais destaque

O cenário acende o alerta entre especialistas, que reforçam a urgência de tratar o tema como uma prioridade nas políticas públicas e no debate social.

O cenário acende o alerta entre especialistas, que reforçam a urgência de tratar o tema como uma prioridade nas políticas públicas e no debate social. | Reprodução/Freepik

A realidade vivida na Espanha, onde dados do Ministério da Saúde de 2024 indicam que 12,6% da população sofre com transtornos de ansiedade e que esses casos são mais frequentes entre mulheres, também se reflete no Brasil. Aqui, a ansiedade tem ganhado destaque como um dos principais desafios de saúde mental.

A palavra “ansiedade” foi a mais citada pelos brasileiros para representar o último ano, segundo a nona edição da pesquisa realizada pela CAUSE em parceria com o Instituto de Pesquisa IDEIA e a PiniOn.

O cenário acende o alerta entre especialistas, que reforçam a urgência de tratar o tema como uma prioridade nas políticas públicas e no debate social.

Uma das vozes mais conhecidas nesse debate é a da psicóloga espanhola María José Ortolà, mais conhecida como Libélula Psicología nas redes sociais.

Com uma linguagem acolhedora e acessível, ela compartilha conteúdos que ajudam milhares de pessoas a entender a ansiedade como uma experiência comum e não como sinal de fraqueza.

Em uma publicação recente no Instagram, Ortolà refletiu sobre os impactos da ansiedade e como enfrentá-la de forma saudável.

“Durante muito tempo, muitas pessoas vivem presas em um ciclo de pensamentos intrusivos, sensação de desconexão, medo de perder o controle ou de que algo grave esteja acontecendo por dentro”, escreveu.

Segundo ela, esses sintomas podem fazer parte de uma ansiedade patológica, muitas vezes não diagnosticada, mas ainda assim real e debilitante. “E não, a ansiedade não é uma fraqueza.

É um sinal de que estamos há tempo demais tentando sustentar tudo sozinhas, em silêncio, sem ferramentas, sem descanso”, afirmou.

Um relato pessoal e profissional

Ortolà também compartilhou que viveu na pele esse tipo de sofrimento e que é possível sair do ciclo da ansiedade. “Com acompanhamento profissional, com psicoeducação baseada em evidências e com um processo profundo e respeitoso, é possível voltar a si mesma.

Eu também passei por isso. E hoje, como psicóloga especializada em ansiedade e trauma, acompanho muitas pessoas a deixarem de sobreviver… para começarem a viver de verdade.”

Curar é compromisso

Em outra publicação, a psicóloga destacou que o processo de cura exige comprometimento e paciência.

“É se sustentar mesmo quando não dá vontade. É entender que a ansiedade não vai embora com uma frase bonita ou um vídeo no Instagram. Ela se regula com constância, com pequenas decisões todos os dias”, disse.

Além de recomendar o acompanhamento psicológico, Ortolà orienta seus seguidores a cuidarem primeiro do corpo antes de tentar controlar os pensamentos. Isso inclui prestar atenção às rotinas básicas: dormir bem, alimentar-se de forma regular, manter-se ativo e treinar o diálogo interno.

A mensagem da especialista é clara, ansiedade não é fraqueza, é um pedido de ajuda. E a resposta está em acolher esse pedido com cuidado, apoio profissional e autocompaixão.