Dezembrite: estresse de fim de ano aumenta risco da ‘síndrome do coração partido’

Cardiologista alerta que a ansiedade elevada em dezembro pode desencadear a Síndrome de Takotsubo, condição que simula um infarto

O nível de estresse em dezembro aumenta 75% em comparação com os outros meses do ano

O nível de estresse em dezembro aumenta 75% em comparação com os outros meses do ano | Pexels

O fim do ano é um período de intensa movimentação, que traz uma complexa mistura de emoções com prazos acumulados, a pressão por metas não alcançadas e uma agenda lotada de compromissos sociais e familiares. Essa sobrecarga emocional, popularmente conhecida como “Dezembrite”, não é apenas uma sensação comum, mas sim um fator de risco comprovado para a saúde. 

Segundo dados da International Stress Management Association (Isma-BR), o nível de estresse em dezembro aumenta, em média, 75% em comparação com os outros meses do ano, enquanto a ansiedade aumenta em cerca de 70% e os distúrbios do sono atingem 38%.

A cardiologista Fernanda Douradinho alerta que esse cenário de tensão e exaustão pode ser o gatilho para a Síndrome de Takotsubo, mundialmente conhecida como “síndrome do coração partido”.

“A Takotsubo é uma condição cardíaca geralmente provocada por um estresse físico ou emocional muito intenso. Ela causa uma dilatação transitória do ventrículo esquerdo, fazendo com que o coração assuma o formato de um vaso japonês chamado takotsubo, usado para capturar polvos — e que dá nome à síndrome”, detalha a médica, explicando a origem do nome peculiar.

Confusão com infarto

Os sintomas da Síndrome de Takotsubo são agudos e podem facilmente se confundir com os de um infarto agudo do miocárdio, o que exige atenção redobrada e atendimento imediato. Os sinais incluem dor súbita no peito, falta de ar, palpitações e sudorese intensa.

“Esses sinais devem ser levados a sério. É essencial procurar atendimento médico imediato, pois somente exames específicos, como ecocardiograma e cateterismo, podem diferenciar a Takotsubo de um infarto verdadeiro, garantindo o diagnóstico correto e o tratamento adequado”, orientou a Dra. Fernanda Douradinho.

A cardiologista aponta que a boa notícia é que o quadro costuma ter recuperação completa em poucas semanas, desde que o paciente receba o tratamento e o acompanhamento necessários. 

Dicas de prevenção e autocuidado

Fernanda também reforça que o controle do estresse e o cuidado com o equilíbrio emocional são as ferramentas fundamentais tanto para prevenir o problema quanto para garantir uma boa recuperação. Para atravessar o fim do ano de forma mais leve, a especialista recomenda desacelerar e respeitar os limites do corpo.

“O coração e a mente estão profundamente conectados. Atividades físicas regulares, sono adequado, momentos de lazer e o apoio emocional são estratégias essenciais para proteger a saúde cardiovascular neste período. O fim do ano deve ser um tempo de pausa e autocuidado — não de exaustão. Cuidar das emoções é também cuidar do coração”, conclui a dra.