Com a morte de James Van Der Beek, ator protagonista de ‘Dawson’s Creek’, reacendeu um alerta importante que os médicos vêm fazendo há anos: o câncer de cólon não é mais uma doença restrita aos idosos.
O câncer de cólon e reto vem sendo diagnosticado com frequência cada vez maior em pessoas com menos de 50 anos.
Segundo a oncologista Chiara Cremolini, professora da Universidade de Pisa, hoje cerca de 1 em cada 8 casos já ocorre nessa faixa etária.
A projeção é preocupante: até 2030, o tumor pode se tornar a principal causa de morte por câncer entre adultos de 30 a 50 anos.
Por que o câncer de cólon está aumentando entre jovens?
Ainda não existe uma explicação única. Fatores genéticos e histórico familiar ajudam a entender parte dos casos, mas representam minoria. Em cerca de 80% dos pacientes jovens, não há uma causa hereditária identificada.
Entre as principais hipóteses levantadas por especialistas estão:
- Consumo frequente de alimentos ultraprocessados, que podem favorecer o surgimento de pólipos no intestino
- Uso de antibióticos na infância, com possível impacto na microbiota intestinal
- Tabagismo e consumo de álcool, fatores de risco já conhecidos
A combinação desses elementos pode estar contribuindo para o avanço da doença antes dos 50 anos.
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Sintomas do câncer de cólon que não devem ser ignorados
Um dos maiores problemas é o atraso no diagnóstico. Muitos jovens subestimam sinais persistentes, acreditando que câncer é algo improvável nessa fase da vida.
Os principais sintomas de alerta incluem:
- Dor abdominal persistente
- Alternância entre diarreia e constipação
- Fadiga intensa e prolongada
- Perda de peso sem explicação
- Presença de sangue nas fezes
Quando esses sinais são ignorados ou confundidos com problemas simples, o diagnóstico pode acontecer em estágios mais avançados, reduzindo as chances de sucesso no tratamento.
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A doença pode ser mais agressiva em pacientes jovens
Em pessoas mais novas, o câncer de cólon às vezes apresenta características biológicas diferentes, com comportamento potencialmente mais agressivo.
Mesmo com tratamento adequado, os resultados nem sempre são os esperados. Pesquisas ainda investigam fatores moleculares que possam explicar essa diferença.
Prevenção é o principal caminho
Especialistas reforçam que há muito a ser feito em termos de prevenção. Manter hábitos saudáveis, praticar atividade física regularmente, evitar cigarro e excesso de álcool e adotar uma alimentação equilibrada, como a dieta mediterrânea, são estratégias que ajudam a reduzir o risco.
O acesso ao tratamento, porém, varia de país para país. Nos Estados Unidos, os custos oncológicos costumam ser elevados. Já na Itália, o sistema público de saúde garante cobertura integral aos pacientes.
O avanço do câncer de cólon entre jovens muda o perfil da doença e exige mais atenção aos sintomas. Pensar que “isso não é para mim” pode atrasar um diagnóstico que faz toda a diferença.
*Por Raphael Miras