Não há quantidade segura de carne processada para consumo, aponta novo estudo

Estudo internacional aponta riscos do consumo regular de carnes processadas, bebidas açucaradas e gorduras trans

Os dados reforçam que o consumo habitual desses alimentos representa uma ameaça real à saúde pública

Os dados reforçam que o consumo habitual desses alimentos representa uma ameaça real à saúde pública | Freepik

Um novo estudo publicado na revista científica Nature Medicine acendeu o alerta sobre o consumo de alimentos ultraprocessados. A pesquisa analisou dados de mais de 60 estudos anteriores e concluiu que mesmo pequenas quantidades de carne processada, bebidas açucaradas e gorduras trans estão associadas a riscos maiores de desenvolver doenças graves como diabetes tipo 2, câncer colorretal e problemas cardíacos.

Segundo os especialistas, não há uma quantidade considerada segura para o consumo dessas substâncias. 

Os dados reforçam que o consumo habitual desses alimentos representa uma ameaça real à saúde pública, principalmente quando inseridos em dietas frequentes ao longo da vida.

Alimentos sob alerta

Carnes como salsicha, bacon, presunto e hambúrgueres contêm nitritos, que ao chegarem ao estômago podem se transformar em compostos cancerígenos. Além disso, elevam os níveis de inflamação no corpo, o que está relacionado ao surgimento de várias doenças crônicas.

Bebidas adoçadas com açúcar, como refrigerantes, também aparecem como vilãs. Elas causam picos glicêmicos no sangue, contribuindo para o surgimento de diabetes e obesidade.

Já as gorduras trans, encontradas em alguns industrializados e margarinas, reduzem o colesterol bom e aumentam o ruim, favorecendo o entupimento de artérias.

Números que preocupam

A ingestão diária de apenas um cachorro-quente, por exemplo, pode aumentar em 11% o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e em 7% o de câncer colorretal. No caso de uma lata de refrigerante por dia, o risco de diabetes sobe 8% e o de doença cardíaca isquêmica, 2%.

Estudo observacional, mas relevante

Apesar dos dados serem observacionais – ou seja, indicarem associação e não uma causa direta –, o volume de informações coletadas em diferentes estudos reforça a credibilidade das conclusões. 

O levantamento se baseia na memória alimentar dos participantes, o que pode introduzir algumas imprecisões, mas mesmo assim os padrões se mantêm consistentes.

O que mudar na rotina

A recomendação dos especialistas é reduzir ao máximo o consumo de carnes processadas, refrigerantes e alimentos ricos em gorduras trans. A substituição por opções mais naturais, como frutas, verduras, legumes, grãos integrais, nozes e laticínios fermentados, é considerada um passo importante para preservar a saúde.

O equilíbrio continua sendo a melhor estratégia. A comida também tem um papel cultural e emocional na vida das pessoas, e não há necessidade de pânico ou restrições severas. A chave está na moderação e nas escolhas conscientes.