Uma tendência curiosa voltou a circular nas redes sociais: a ideia de expor as partes íntimas diretamente ao sol para melhorar saúde, libido e níveis hormonais.
A prática, conhecida como perineum sunning, ganhou popularidade após viralizar na internet e agora reaparece com promessas que vão desde aumento de testosterona até melhora da criatividade.
Apesar do sucesso nas redes, especialistas alertam que não existem evidências científicas que comprovem esses benefícios — e que os riscos podem ser significativos.
A prática consiste em expor ao sol a região entre os genitais e o ânus, chamada períneo. Algumas versões da tendência também incluem exposição direta da vulva ou dos testículos.
Os defensores da técnica afirmam que poucos segundos de luz solar nessa área poderiam aumentar a produção de vitamina D, melhorar o sono, estimular energia sexual e até favorecer o equilíbrio hormonal.
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Parte dessas afirmações costuma citar um estudo antigo, de 1939, que sugeriu aumento de um derivado da testosterona após irradiação ultravioleta nos genitais de alguns homens com sintomas depressivos.
Segundo o urologista Gustavo Marquesine Paul, da Sociedade Brasileira de Urologia, esse estudo é considerado metodologicamente fraco pelos padrões científicos atuais.
De acordo com ele, a pesquisa tem valor histórico, mas não serve como base confiável para recomendar exposição genital ao sol atualmente.
O canal do Dr. José Marcos Neves explica como a prática se popularizou nas redes sociais e se ela faz bem à saúde:
Testículos ao sol aumentam testosterona?
Alguns estudos modernos sugerem que pessoas que passam mais tempo ao ar livre podem apresentar níveis mais altos de testosterona.
No entanto, os especialistas ressaltam que essas análises não indicam que a exposição direta dos genitais traga qualquer benefício adicional.
O que se sabe é que a pele exposta ao sol pode participar de mecanismos que influenciam a regulação hormonal. Porém, isso ocorre independentemente da área do corpo exposta.
Ou seja, não há evidências de que expor especificamente os testículos ou outras regiões íntimas seja mais eficaz do que tomar sol em áreas comuns do corpo, como braços e pernas.
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Vulva e períneo também não têm benefício comprovado
A ginecologista Neila Maria de Góis Speck, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada do Trato Genital Inferior da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, afirma que a prática não possui comprovação científica.
Segundo ela, a pele da vulva, do períneo e da região anal é extremamente sensível e fina, o que aumenta o risco de danos causados pela radiação solar.
Além disso, essas áreas não produzem vitamina D de maneira mais eficiente que outras partes do corpo. A produção ocorre quando a pele é exposta aos raios UVB, independentemente da região.
Para a maioria das pessoas, alguns minutos de exposição solar em braços, pernas ou costas já são suficientes para estimular a produção adequada da vitamina.
Os riscos podem ser maiores que os supostos benefícios
Especialistas destacam que a exposição direta do sol em áreas íntimas pode trazer consequências importantes.
A pele dessa região não está adaptada à radiação solar, o que aumenta muito o risco de queimaduras. Além disso, a exposição frequente aos raios ultravioleta pode favorecer o envelhecimento precoce da pele e aumentar o risco de câncer.
No caso dos homens, há ainda uma preocupação adicional: os testículos ficam fora do abdome justamente porque precisam de temperaturas mais baixas para a produção adequada de espermatozoides.
O aquecimento excessivo da bolsa escrotal pode prejudicar a fertilidade.
O sol realmente influencia hormônios?
A exposição solar moderada pode trazer benefícios reais para o organismo. A principal razão é a produção de vitamina D, que participa de diversas funções metabólicas e hormonais no corpo.
Essa substância atua em processos ligados ao sistema imunológico, à saúde óssea e ao equilíbrio metabólico, além de influenciar o humor por meio da produção de neurotransmissores como a serotonina.
Por isso, médicos reforçam que tomar sol de forma segura — em áreas comuns do corpo e por tempo moderado — é suficiente para aproveitar os benefícios.
Já a exposição direta das partes íntimas, segundo especialistas, não tem respaldo científico e pode representar riscos desnecessários para a saúde.